O império do consumo e outras mínimas

“Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra. Comprados a prazo, esse animalejo prova a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de juros que este ou aquele banco oferece.

Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o automóvel é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.

(…) Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?”

Eduardo Galeano, O império do consumo.

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‎”Acho que vocês sabem que o príncipe Harris está no Rio. Ele quer o dinheiro de vocês. Por favor, não deem.” — Morrissey, no show da sexta (9/3).

Durante algum tempo, ele mostrou ao fundo o vídeo abaixo:

Como não gostar de uma pessoa dessa?

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O Metrô Rio traz inovações que trazem conforto e rapidez, só pra você. E até 2038:

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“Comecei uma força tarefa para eliminar redundâncias em nossos processos internos.”

“Sério? Estou fazendo a mesma coisa.”

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Pobrecitos.

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Eu não acredito em aquecimento global.

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Ele tem um livro! Ele tem um livro!

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