O golpe e a resistência

Foto: Reprodução da internet.
Foto: Reprodução da internet.

Por Fabio Nogueira e Rodolfo Reis*
No dia 28 de abril de 2017 parte de Brasil parou em forma de protesto para uma greve contra as reformas do governo do Presidente Michel Temer. O ato de protestar é democrático, traduz um cidadão livre lutando pelos direitos da sociedade. Quer você concorde ou não, caro leitor, o direito de liberdade de expressão foi conquistado. Vai do interesse de casa um manifestar-se publicamente ou reservar-se.
Mas até que ponto vai o seu direito? De fato, seu direito não está acima do meu. Aquele que não quiser se manifestar a favor ou contra a greve, não quer dizer que seja o inimigo da sociedade apenas por não estar protestando. Seu direito acaba quando o meu começa.
Muitos acreditam que eu (Rodolfo Reis) sou comunista, de esquerda, etc. Aqui agora em público, explico: Não sou comunista e não sou filiado a partido político. E se fosse, qual o problema? Sou um cidadão livre com meu direito de escolha, e no caso escolhi ser professor de geografia. E se daqui a algum tempo eu resolver mudar de ideia? Isso é reflexo do meu processo de amadurecimento.
Há muito tempo, meu falecido avô (Ele sim, comunista) foi às ruas lutar pelo direito de sua classe [Trabalhadora]. Naquele tempo, o Brasil passava por um período complexo (golpe ou ditadura, não vou entrar nesse mérito). O que importa é que ele lutou pelo que acreditava ser justo, embora muitos discordassem de sua opinião.
O que pretendo transmitir nesse texto é que não vale você criticar o camarada que vai a rua protestar só pelo fato de você não concordar e achar palhaçada. Se liberdade de expressão fosse pra todo mundo pensar a mesma coisa, seria ditadura da opinião.
Dada a legitimidade do golpe, o governo golpista cumpre o que está escrito na famigerada carta do PMDB: “Ponte para o futuro”. Para quem não leu, a carta é totalmente aberta à política neoliberal em todo o seu conteúdo. Basta ter mais discernimento e leitura para entendê-la.
O congresso nacional esta tomado por políticos bancados pelo capital financeiro, o mesmo que tem seríssimas pretensões de tomar o lugar do Estado e cumprir o papel de regular não somente o mercado como também a nossa vida social. Ditando ordens e retirando os direitos dos trabalhadores garantidos na constituição .
O mercado financeiro afirma que o Estado é pesado e lento. O Estado deve ser mínimo, deixando somente a responsabilidade da ordem e disciplina. O curioso é que quando ocorreram as duas grandes crises do mercado financeiro, quem tirou o capital da bancarrota foi justamente o Estado. A última crise de 2008, os Estado Unidos e a União Europeia ofereceram a modesta ajuda de US$ 1 trilhão de dólares. Para a recuperação da Europa no pós-segunda guerra mundial, de longe o dinheiro usado para reconstrução não
chegava a esse montante.
Na década de noventa, para salvar os bancos já falidos, o governo ofereceu pomposas ajudas financeiras e mesmo assim mais de três instituições financeiras pediram falência. Viva o neoliberalismo!!
Parece que finalmente estamos reagindo aos golpes dados ao povo brasileiro. Aconteceram várias paralisações de várias categorias protestando contra as reformas do trabalho e da previdência social. A palavra da moda é modernizar a CLT e garantir o mínimo ao trabalhador. São formas perversas de tirar todos os direitos sociais garantidos pela constituição federal.
No lado político e jornalístico o trabalhador é chamado de vagabundo. Dentro da própria categoria, quem defende os direitos dos companheiros é tratado como vagabundo.
O Brasil está perdendo a noção do certo e errado. Os meios de comunicação a cada dia realizam seu papel de desinformar. Vendem o peixe podre e garantindo que é do bom e do melhor. Jornalistas de renome usam da credibilidade para apoiar o pacote de maldade oriundo desse projeto neoliberal. Se você não aderir estará ultrapassado.
Espero que a nossa reação não seja tarde demais. Enquanto isso (..)as panelas permanecem mudas.
(*) Fabio Nogueira é estudante de história da Universidade Castelo Branco e militante da Educafro.
Rodolfo Reis é estudante de geografia.

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