O escândalo da vez

Enquanto o Gustavo Barreto virava as madrugadas adaptando nosso fazendomedia.com, eu tratava de fechar a edição impressa deste mês. Aqui na internet, vamos sair de um sistema jurássico de atualizações para o formato que permite a edição “on-line” dos textos. Com isso esperamos retomar as atualizações diárias e, quiçá, publicar mais de um texto por dia. Com relação ao jornal impresso, estamos atrasados, é verdade, mas se tudo der certo acertamos o ritmo em julho. Além dos percalços de sempre, nesse meio tempo tivemos que fazer a mudança da nossa sede. Bem, com relação ao título desse texto, “O escândalo da vez”: trata-se do editorial do Fazendo Media impresso número 77, de junho de 2009. Segue abaixo a íntegra, lembrando que para assinar o jornal e apoiar esta iniciativa de mídia alternativa basta escrever para assinatura@fazendomedia.com. Um grande abraço, Marcelo.
O ESCÂNDALO DA VEZ
Ficamos sabendo pelas corporações de mídia que senadores nomeiam ou indicam parentes para cargos públicos ou para empresas prestadoras de serviço.
Guardiães da moral pública, essas empresas de mídia encontraram os vilões da vez na figura de José Sarney e seu clã.  Até aí tudo bem, nós aqui não vamos defender o mais perfeito exemplo de coronelismo à moda antiga. Muito pelo contrário.
No entanto, algumas questões precisam ser melhor explicadas:
1) É novidade para alguém que a família Sarney manda e desmanda na República? Foi nesse momento que a mídia descobriu isso?
2) Por que essa imprensa não denuncia, com o devido destaque, o golpe de Estado promovido pelos Sarney contra o governador do Maranhão eleito pelo povo, Jackson Lago, derrubado para que Roseana assumisse o cargo?
A maneira como o tema é apresentado serve aos interesses de quem lucra com a criminalização da política, que em última análise sangra a imagem do servidor público e, com isso, desgasta a própria noção de coisa pública. Daí decorre a idéia, muito presente no imaginário coletivo, de que tudo o que é públibo é ruim e tudo o que é privado é bom. 
É evidente que faz parte da obrigação dos meios de comunicação a fiscalização do poder público. Isso não se discute, embora seja necessário insistir que essa fiscalização geralmente ocorre contra os aliados do oligopólio que contra a mídia no país e não devido ao genuíno interesse coletivo.
Nossa crítica é muito objetiva: onde estão os escândalos das empresas privadas? Será que inexistem? Nesta edição publicamos entrevista com o advogado peruano Ricardo Soberón, especialista em tráfico de drogas que oferece boas pistas sobre os questionamentos acima.
Além disso discutimos o fim do diploma para jornalistas, denunciamos os abusos na ocupação policial de duas favelas no Rio de Janeiro, resenhamos o livro “A Batalha da mídia” e colocamos em xeque os reality shows. Boa leitura!

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