
Vini Jr. não ganhou a “Bola de Ouro”, apesar de ter sido eleito pelo voto popular promovido pelo mesmo grupo de mídia que organiza a premiação, com mais de três vezes o número de votos do segundo colocado (41,3% contra 13,5%).
Vini Jr. foi o jogador mais decisivo de um time que venceu todas as competições importantes em que participou, incluindo a Champions League (a liga europeia de clubes).
O jogador que deve ganhar (Rodri), campeão da Eurocopa 2024, foi eliminado por Vini Jr. e pelo Real Madrid na Champions League e sequer foi o destaque de seu time na liga inglesa. É um grande jogador, mas esteve longe de ser o melhor na temporada 2023/2024 – como indica a votação popular.
O presidente da liga espanhola de futebol, Javier Tebas, já declarou que votaria no partido de extrema-direita espanhol VOX, um partido racista formado por nostálgicos da ditadura franquista.
Em uma premiação organizada por uma revista francesa em parceria com a UEFA (a confederação de futebol europeia), retiram o prêmio de melhor jogador do mundo, sob qualquer critério em campo, para entregá-lo a um jogador… espanhol.
Vinicius Jr. é hoje o principal inimigo dos racistas na Espanha, pelo fato de ser um jogador antirracista. É um dos poucos. Na longa história de racismo no futebol espanhol, praticamente nenhum jogador foi tão incisivo em lutar contra os racistas – e condenar alguns à prisão.
Vini construiu seu discurso, reuniu-se com autoridades e fez a causa avançar. Neymar Jr. e Daniel Alves, ambos grandes ídolos do Barcelona – hoje esquecidos, um deles na prisão por estupro –, nunca se levantaram contra os insultos racistas, que eram muitos. Outros preferiram se esquivar da luta. Vini, por sua vez, não fugiu e obteve resultados dentro e fora de campo.
A conta chegou. Não importa o quanto Vini tenha feito dentro de campo; seu “comportamento” como antirracista é inaceitável aos olhos de uma Europa cada vez mais racista. Vide o ressurgimento de partidos como o VOX e outros ultranacionalistas.
No fundo, na verdade, trata-se é um duplo reconhecimento para Vini: ele é o melhor do mundo (segundo o júri popular) e continua incomodando os racistas. Bravo!
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/

Imprescindível combater o racismo como o que é, um crime contra a humanidade! Os crimes devem ser denunciados e enfrentados, para o devido processo e punição. Haja vista o que acontece quando golpes de estado, torturas e apologias da tortura, bem como armamento e incitação ao ódio, passam batido e não são sequer reprimidos. O mal se multiplica diante do silêncio de quem se amedronta! Mas o preço quem paga é o conjunto da população. Cidadania ativa é mobilização. Educar, educar e educar. Capacitar a população para a defesa ativa dos DDHH.