"O belo rei", um espetáculo do gênero Teatro de Roda

O Belo e o Rei. Foto: Wilton Montenegro.

Contemplado pelo FATE 2010 (Fundo de Apoio ao Teatro da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro), o Teatro de Roda comemora os seus 28 anos de existência, cantigas, brincadeiras e cenas de celebração da arte e da cultura popular brasileira, com apresentações públicas do novo espetáculo “O BELO REI”, de Mariozinho Telles, nos dias 11 e 12 de junho, às 16 horas, no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas. Após a estréia no Parque da Ruínas, “O BELO REI” faz apresentações no Circuito das Lonas Culturais Municipais e cinco comunidades, nos meses de junho e julho. Os ingressos são gratuitos.
Teatro de Roda é “o teatro que emerge das manifestações culturais populares”
O Teatro de Roda define-se como manifestação cultural integradora de artes, artistas e público, dando vazão aos talentos de uma população que se expressa em repentes, partidos-altos, desafios, capoeiragem, cirandas, em outras danças e rodas, em um espetáculo interativo onde o público canta, dança e representa, junto com o elenco, em busca de um entendimento comum dos temas propostos.
No Teatro de Roda artistas e público (adultos, jovens e crianças – é um teatro para a família) dão-se as mãos, formando várias rodas, uma dentro da outra. No círculo central, nas rodas e nos seus anéis, entre uma roda e outra, evolui a cena. São as histórias de Samba-Lelê, Samba-Crioula, Linda Rosa, Belo Rei, Bela Morena, e muitos outros personagens no embalo das danças, ao som das cantigas da roda.
As peças não trazem histórias lineares, elas abordam aspectos da vida cotidiana de todas as pessoas e lidam com a diversidade de manifestações que ocorrem. Não se conta apenas uma história, mas muitas.
“O BELO REI” remete à sensibilidade masculina com o objetivo de rever alguns padrões formadores da personalidade e do caráter do menino, do rapaz e do homem, vem repensar os valores básicos e os mais elevados pilares da masculinidade, em busca do diálogo, da compreensão, do amadurecimento e de um equilíbrio harmonioso na distribuição das forças e dos papéis sociais desempenhados nos diversos setores da vida cotidiana.
Boa parte do universo das cantigas de roda reside na afetividade, na educação familiar, a partir dos conceitos de um modelo colonial-feudal estabelecido e que, apesar de superado, permanece como referência do comportamento social até os dias de hoje. Abordando a partir de enfoque analítico do desenvolvimento afetivo individual, o Teatro de Roda, celebra a formação psicológica da mulher e do homem da nossa sociedade, cantando, dançando e representando enredos de infância, adolescência, juventude e maturidade, visando, a partir do diálogo, uma organização afetiva e psicológica do comportamento familiar, consensual pela interatividade, como um eixo central de entendimento da vida e da sociedade para o indivíduo, em seu impulso vital mais elementar.
Após a estréia no Parque da Ruínas, “O BELO REI” faz apresentações no Circuito das Lonas Culturais Municipais e cinco comunidades, nos meses de junho e julho. Os ingressos são gratuitos.
No dia 12 de junho se comemora 28 anos da primeira apresentação pública
O Teatro de Roda nasceu em uma oficina que o ator e diretor Mariozinho Telles ministrou no Aterro do Flamengo, de 1983 até 1985, chegando a ter aproximadamente 80 pessoas praticando ao ar livre, nas tardes de sábado e domingo, adotando quatro linhas de trabalho que foram levados às praças, festivais, eventos políticos e culturais. A primeira apresentação celebrou o dia dos namorados na Arena da Glória do Aterro do Flamengo, no dia 12 de junho de 1983.
Sobre este momento, Mariozinho Telles (59 anos) conta que “as inúmeras propostas que fervilhavam na década de 60 exerciam uma influência definitiva e designavam missões de arte e de vida: o movimento da arte contemporânea, os penetráveis do Hélio Oiticica, as experimentações de sua geração de artistas, inúmeras instalações e dispositivos; os happenings de Julian Beck e do Living Theatre, bem como a atividade dos grupos Arena, Oficina e Opinião (eu cresci vendo ensaios do Vianinha, do João das Neves, escutando os conselhos do Ferreira Gular, da Tereza Aragão e frequentando as rodas de samba do Bayer e Coutinho, no Teatro Opinião, tive uma forte influência do Ballet Stagium, de Décio Otero e Marika Gidali, além de vivências definitivamente marcantes nos ensaios da Cia. de Klauss e Angel Vianna (minha eterna amiga e professora). E o ambiente que tive em casa era de busca obstinada das raízes culturais brasileiras, experimentalismo e afirmação identidária, entre músicos da Bossa Nova e do Samba Novo.”
E continua dizendo: “Tornei-me seguidor do (Augusto) Boal, desde o início dos anos 70, experimentando e praticando as suas propostas, a primeira oficina que ele ministrou sobre as técnicas do Teatro do Oprimido, em 1979, na volta do exílio, foi para mim uma grata confirmação (viemos a conviver, no final da década de 80, durante o período da elaboração do “Arco Íris do Desejo”, foram bem uns dois anos de experiências e pesquisas).”
“Esses foram alguns fatores que me levaram às pesquisas para a elaboração de formas teatrais interativas, donde o “Teatro Labirinto: – A Que Causa Dedicar a Vida?” (Teatro CEU. Rio de Janeiro, 1981/82), a primeira experiência; a seguir o Teatro de Roda que se constituiu em gênero e em companhia teatral, dentre outras que têm como premissa que o teatro deva emergir das manifestações culturais populares.”, conclui Telles.
Serviço
Espetáculo: “O BELO REI”
Direção e dramaturgia: Mariozinho Telles
Elenco: Maria Rita Rezende, Guilherme Salvador, Maru Camargo, Roberta Mancuso, Karina Diniz, Tainá Louven, Victor Mafra, Último de Carvalho, Pedro Rodrigues e Mariozinho Telles
ESTRÉIA: 11 e 12 de junho
Locais e horários:
Capacidade de público: Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas = 300 pessoas; Circuito de Lonas Culturais Municipais e Comunidades = 150 pessoas
Classificação indicativa: Livre para todas as idades
Duração: 80 minutos
Ingressos: GRÁTIS
11 (sábado) e 12 (domingo) DE JUNHO, às 16 horas – Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas. Rua Murtinho Nobre 169, Santa Teresa. Tel. 2215-0621
14 DE JUNHO, terça-feira, às 16h – Lona Cultural Municipal Hermeto Pascoal, Praça 1º de maio s/n°, Bangu. Tels. 3466-6704
16 DE JUNHO, quinta-feira, às 9h – Lona Cultural Municipal Carlos Zéfiro, Estrada Mal. Alencastro s/n°, Anchieta. Tel. 3339-4290
17 DE JULHO, domingo, às 10h – Parque Garota de Ipanema, Arpoador, Ipanema
17 DE JUNHO, sexta-feira, às 18h – Lona Cultural Municipal Herbert Vianna, Rua Ivanildo Alves s/n°, Nova Maré. Tel. 3105-1568
18 DE JUNHO, sábado, às 10h – Praça do 18, Baixa do Sapateiro, Nova Maré
18 DE JUNHO, sábado, às 14h – Vila Olímpica, Complexo de Alemão
19 DE JUNHO, domingo, às 16:30h – Lona Cultural Municipal Renato Russo, Praça Poeta Manoel Bandeira s/n°, Aterro do Cocotá, Ilha do Governador. Tel. 3366-0589
21 DE JUNHO, terça-feira, às 15h – Lona Cultural Municipal João Bosco, Av São Felix 601, Parque Orlando Bernardes, Vista Alegre. Tel. 2482-4316
26 DE JUNHO, domingo, às 16:30h – Lona Cultural Municipal Terra, Pça Edson Guimarães s/n°, Guadalupe.  Tel. 3287-0921
30 DE JUNHO, quinta-feira, às 15h – Lona Cultural Municipal Elza Osborne, Estr. Rio do A 220, Campo Grande (ao lado do viaduto). Tel. 3406-8434
09 DE JULHO, sábado, às 17h – Ladeira dos Tabajaras, Copacabana
10 DE JULHO, domingo, às 16h – Lona Cultural Municipal Sandra de Sá, Rua 12, quadra 219, Guandú 1, Santa Cruz. Tel. 3395-1630
24 DE JULHO, domingo, às 17h – Quadra da Associação de Moradores da Tavares Bastos, Rua Tavares Bastos 414, Catete

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