NOTA SOBRE A MINHA DESTITUIÇÃO DA COMUNIDADE MARYKNOLL, pelo Pe. Roy Bourgeois

Fui padre católico na Comunidade Maryknoll, durante 40 anos. Ainda jovem, aderi à Comunidade Maryknoll, em razão do seu trabalho pela justiça e pela igualdade no mundo. Ser expulso da Maryknoll e do presbitério por acreditar que as mulheres são também chamadas ao presbitério é difícil e penoso.

O Vaticano e a Comunidade Maryknoll podem excluir-me, mas não podem suprimir a dimensão da igualdade de gênero na Igreja Católica. O pedido de igualdade de gênero tem raiz na justiça e na dignidade que não vão embora.

Enquanto católicos, professamos que Deus criou homens e mulheres com igual valor e dignidade. Como padres, professamos que o chamado ao presbiterato vem de Deus, só de Deus. Quem somos nós, homens, para dizer que o nosso chamado feito por Deus é autêntico, enquanto que o chamado feito por Deus às mulheres não é? A exclusão das mulheres do presbiterato é uma grave injustiça contra as mulheres, nossa Igreja e nosso Deus amoroso que chama homens e mulheres a serem presbíteros/presbíteras.

Quando acontece uma injustiça, o silêncio é a voz da cumplicidade. Minha consciência me faz romper meu silêncio e denunciar o crime de sexismo em minha Igreja. Só lamento que isto me tenha tomado tanto tempo para enfrentar a questão do poder e da dominação machistas na Igreja Católica.

Expus minha posição acerca da ordenação das mulheres, e como cheguei a tal posição, em meu livreto, My Journey from Silence to Solidarity (Minha Caminada do Silêncio à Solidariedade). Favor conferir: http://www.roybourgeoisjourney.org.
Em solidariedade,

Pe. Roy Bourgeois

(Trad.: Alder Júlio F. Calado).

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