Nem tudo são flores no Reino de Vossa Rainha

?Existe um ditado que diz não devemos subestimar as pessoas, em especial aqueles que vêm de um longo processo de exclusão e descaso das autoridades. Os acontecimentos na capital britânica é o exemplo disso.
O bairro de Tottenham, bairro periférico londrino, é uma síntese cruel do modelo neoliberal que prega a ausência do Estado no bem estar dos cidadãos. Seus moradores são imigrantes que vieram de ex-colonias inglesas logo após a segunda guerra mundial, quando a vinda deles era bem vinda. Por muitos séculos a metrópole (Inglaterra) os explorou até o fim e agora quer vê-los pelas costas, os colocando em guetos e sem nenhuma expectativa de um futuro melhor.
A violência não justifica tamanha confusão, mas chega um momento em que tem de haver um basta para tantas mazelas e descaso.
A morte do jovem foi a gota d’água. Relatos de moradores dão conta que o governo cortou vários programas sociais, principalmente aqueles que envolviam os jovens desempregados, e fechou cursos profionalizantes deixando a população furiosa. O chefe da Scolant Yard deu carta branca aos policiais para deter qualquer morador de Tottenhan sem nenhuma acusação formal. Por quererem uma vida melhor, um futuro com mais dignidade, os moradores são chamados de vândalos, marginais e vagabundos. Esse é o tratamento dado pela mídia corporativista e burguesa.
Os moradores das periferias brasileiras devem tomar como exemplo os moradores da periferia ingleses, tomar as mesmas decisões mesmo que sejam indigestas. É preciso chamar a atenção de todas as esferas da sociedade civil e dizer a eles que o morador da favela quer respeito, educação, moradia e arte.
O perigo do conflito é o fortalecimento de grupos extremistas que cresce fortemente na Europa, alguns com cadeiras no parlamento e infelizmente é uma realidade. Com o agravamento da crise, os grupos radicais põem a culpa nos estrangeiros como se eles fossem os causadores da crise. Sem levar em conta que a Europa também passa por uma transformação de identidade, sua população vem ganhando outras faces com um colorido a mais e isso coloca medo naqueles europeus mais conservadores não dispostos a viver em uma sociedade diversificada. É uma pena.
Os ecos da extrema direita ganham adeptos em alguns países. O Tea Party, uma ala radical dos repúblicanos americanos, tem o discurso igual a outros do outro lado do atlântico. Pregam o que existe de pior na politica norteamericana. No hemistério sul, não muda muita coisa. Partidos que por muitos anos mandaram e desmandaram têm como principal alvo os governos de origem popular. Lula (Brasil), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Hugo Chavez (Venezuela), são alvos desse extremismo. Acham errado os programas sociais, além de os chamarem de populistas e criticarem as suas políticas de governo.
Não queremos ver novamente o surgimento de uma extrema-direita, cujas ideias têm raízes nazi-facistas e um conflito em terras europeias pode desencadear outros males.
(*) Fábio Nogueira é coordenador de pré-vestibular comunitário de Vila Aliança, no Rio de Janeiro, e militante da Educafro.

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