Não fosse a arte, o que seria de nós?

Há um livro de Ambrósio
Na estante de Dalvinha
Que ela costuma ler
Aos domingos, à tardinha.
Ao exibi-lo com gosto
Delineia-se no rosto
Discreta nesga de orgulho.
E na página aleatória
Ela se joga na história
Num apoteótico mergulho.

Não fosse a arte, Dalvinha
O que seria de nós?
Como iríamos suportar
Nossa solidão atroz?
Pude ver isto de perto
Numa tela de Alberto
Sobre o tema “coqueirais”.
Sem livros, música, poesia
Sem dança e sem boemia
Coitados dos nossos ais.

Martim Assueros, 18/8/2025

Imagem: Tela de Alberto Lacet

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