Não esquecer a CPI da privataria tucana

No momento os olhos e ouvidos de todos os observadores estão focados na CPI de Carlinhos Cachoeira, que está apurando uma rede de corrupção e possíveis mensagens  privilegiadas trocadas por um bicheiro, um senador da República, um jornalista e agora  um juiz do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso é apenas uma ponta do iceberg, onde outros personagens vão aparecer. Vamos aguardar.
Os colunistas sociais da grande mídia parecem ter esquecido de outro escândalo, que podemos chamar de o maior assalto aos cofres públicos de todos os tempos: As privatizações das estatais iniciadas no governo Collor e continuadas para valer no período FHC, quando o discurso era menos Estado mais desenvolvimento. Afirmavam que com as vendas das estatais sobraria mais para a educação e saúde. As estatais foram vendidas e a saúde e a educação continuam de mal a pior. A mídia conservadora tem o trabalho de ficar em silêncio, pois sabe de sua parcela de culpa nessa história. O colunista Merval Pareira, em sua coluna no Jornal O  Globo, atacou  o livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior,considerando-o como encomenda política e ideológica.
O livro Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Júnior, teve o total descrédito na grande mídia. Graças à colaboração de blogueiros progressistas o livro do jornalista teve uma divulgação extraordinária e foi recorde de vendas no ano passado. O livro conta todos os bastidores das vendas das estatais, na época sob o comando do ex-ministro da fazenda, José Serra. O ex-tudo José Serra, na ocasião considerou o livro um lixo. Consciência pesada.
O estranho dessas privatizações é a venda de estatais que davam lucro aos cofres do Estado, como a Vale do Rio Doce, considerada umas das melhores mineradoras do mundo e vendida a preço bem abaixo do mercado: U$ 3 bilhões. Hoje o seu lucro é nada menos que U$ 200 bilhões, muito estranho.
Porém, não estranhemos caso essa CPI não saía. O presidente da Câmara dos Deputados, Marcos Maia, disse em entrevista que teria de ver o caso para avaliar se era necessário ter uma CPI. Tem muita diferença a CPI do Carlinhos Cachoeira, que imediatamente foi instalada após as denúncias. E uma CPI das privatizações, que apure se o dinheiro público foi roubado em nome do desenvolvimento da nação? Por que o Congresso Nacional faz vista grossa ao caso da privataria?
O povo brasileiro quer saber o que foi feito do dinheiro e aonde ele foi parar. Esse caso envolve diretamente o Serra e seus próximos. Já é um fato, que vários serviços públicos de São Paulo e demais Estados da federação estão sendo substituídos por cooperativas ou terceirizados. Isso significa que os trabalhadores não têm seus direitos garantidos, além dos seus salários muito abaixo do mercado. Os liberais com certeza dão gritos de alegrias.
Deixar no esquecimento será o nosso maior erro, significa vitória daqueles que lesaram o nosso bolso. Deixar conforme está será pior ainda, pois significará o quão somos passivos e não reagimos a tantos assaltos feitos por pessoas acima de qualquer suspeita. Ficar no esquecimento é igual à bela frase de Martin Luther King: “O que me preocupa não é os gritos dos maus. É o silêncio dos bons”.
(*) Fabio Nogueira é militante da Educafro. E- mail: fabionogueira95@yahoo.com.br

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