Museu do Índio: deixe os nossos índios com seu chão

Por mais de cinco séculos a população indígena brasileira é massacrada. Desde o descobrimento do Brasil, no século XVI. Calcula-se entre 5 a 8 milhões de indígenas mortos. Os motivos são vários, entre massacres de sua população até doenças transmitidas pelo colonizador.
A população indígena está entre aquelas cujas vozes pertencem às minorias sem participação na sociedade. Unem-se aos negros, mulheres, gays e aos favelados em geral. O índio sempre foi tratado pelo Estado nacional de maneira caricata, na linha dos estereótipos ou exóticos. Tudo na base da comédia e desrespeito.
Assim como as outras minorias, estão colocando a cara a tapa para defender os seus direitos, seu povo e suas terras, que são o seu bem mais sagrado.
Mesmo com algumas vitórias no campo jurídico, os índios vêem os seus direitos serem violados constantemente. Dois recentes casos estão mobilizando os defensores da causa indígena: Os Guarani-Kaiowá, no Estado do Mato-Grosso do Sul, brigam pelas suas terras. Estas em geral são griladas, seus documentos são falsificados pelo invasor, apesar de outros índios já terem dado suas vidas para defendê-las. E a grande maioria da população vê isto com normalidade, o que é pior ainda. Essa normalidade vem acompanhada das desinformações e preconceitos.
O outro exemplo é o Museu do Índio, no Rio de Janeiro. O inimigo é mais perigoso: os governantes. Alegam que a casa atrapalha a livre circulação no entorno do estádio Maracanã, embora este já tenha comportado mais de 180 mil pessoas e nunca ter incomodado. Por que então agora? O público diminuiu mais da metade do projeto original. Diversos setores da sociedade criticam tal inciativa, como os artistas Chico Buarque e Milton Nascimento, e os governantes não estão nem aí.
O ultrajante do episódio é ver nomes de pessoas que praticamente massacraram povos indígenas, como Cabral, nosso atual governador, igual ao antigo colonizador. Em São Paulo, é comum ver ruas, avenidas e monumentos com os nomes desses verdadeiros assassinos das nações indígenas.
Quando o homem branco aqui chegou
trazendo a cruel destruição
A felicidade sucumbiu
Em nome da civilização
Deixe nossa mata sempre verde
Deixe o nosso índio ter seu chão

Samba da Mocidade de Padre Miguel.
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(*) Fabio Nogueira é estudante de história da Universidade Castelo branco e militante da Educafro. e-mail –Fabionogueira95@yahoo.com.br

8 comentários sobre “Museu do Índio: deixe os nossos índios com seu chão”

  1. Supor que o índio foi massacrado é um desconhecimento histórico. Houve sim mortes na época do descobrimento e períodos seguintes, mas jamais um massacre. A maior parte dos índios “não existe mais” porque se integrou aos europeus: a tal da miscigenação. Eles mataram e morreram, faziam parte de uma sociedade basicamente beligerante. Não eram coitados que foram engolidos. Houve, ademais, diversas alianças entre europeus e índios: ou seja, índio matava índio, no mais das vezes em troca de interesses, até mesmo de fazer parte da sociedade, ter nome de branco e outras coisas. Doença, naquela época, matava muitas pessoas, europeus e índios. Achar que eles viviam com qualidade de vida naquela sociedade neolítica e que as doenças novas o dizimaram é mentira. E outra, a aceitar esse tipo de retórica fajuta, porque não culpar os índios pelas mortes causadas pelo cigarro? Tabaco não existia antes do contato com eles. Mas é claro que isso é uma tolice, só estou demonstrando o quão falha é o argumento exposto no texto.

  2. André, ninguém é santo neste mundo,porém nós não podemos generalizar ação de tribos X com os demais . Arariboia foi um que foi traidor de sua tribo,e não podemos julga-lo em nomes de todas as tribo,porém,houve e está havendo massacres de índios até os nossos dias,não podemos fechar os olhos par essas realidades.

  3. Prezado Fábio, como historiador, procure outras fontes de informação que não os livros revisionais de história e implementados nas instituições a partir da Era Vargas. Você vai ver como muito do que nos ensinam trata-se tão somente de construção ideológica, invariavelmente distante da verdade história. Não odeio índios, e tampouco estou do lado dos “colonizadores”, estou apenas afirmando que o concesso histórico é falacioso.

  4. O fato existe. Tem nações indígenas sendo massacradas há seculos. Não precisa ser um grande historiador ou algum semelhante para ver o que se passa. O concesso comum que é mais perigoso ainda,pois cai na mesmice e dura a vida toda.
    Não fico baseando-me nos livros somente,basta ter olhos muito sincelos.

  5. O “massacre” que você diz presenciar com seus próprios olhos imagino seja a condição deplorável em que os índios vivem. Agora me diz, quem está massacrando? (se vc responder, a sociedade capitalista, nossa conversa para por aqui por que perderei o pouco respeito que tenho ao seu intelecto) Outro grande problema causado pelos demagogos de plantão é o culto o multiculturalismo: pregar que os índios devem viver à maneira deles, que eles são felizes assim, que não existe sociedade mais desenvolvida, mas apenas diferentes. Mentira. Índio, que vive que nem índio, é atrasado e obsoleto. Pregar a manutenção dessa sociedade é uma covardia. O que o índio precisa é integração, usufruir de infraestrutura, ter chance de crescer e não ser tratado como marginal da sociedade. Eles querem isso, veja a recente pesquisa que saiu sobre o tema. Mas a galera do bem prega “deixe o índio em paz”. A cultura tem que ser mantida apenas em crenças e cultos, e não vivendo sem camisa no meio da mata.

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