Mulheres sofrem ataque no campus da UFF, em Niterói

Ato 17.03.14

 [Por Marcela Pereira – 20.03.2014]

No dia 12 de março, apenas quatro dias depois do Dia Internacional da Mulher, mais um ataque covarde às mulheres aconteceu no Gragoatá, campus da UFF, em Niterói. Três estudantes sofreram abuso sexual e violência física. A primeira, logo na entrada, teve uma “passada de mão”. Não “satisfeitos”, os agressores ainda a encararam – no sentido de intimidá-la. Alguns minutos depois, as duas outras, ao saírem do Bandejão: uma, por estar portando um broche com a Foice e o Martelo, se viu sendo indagada provocativamente sobre o símbolo, com direito a presenciar saudação nazista e xingamentos, até que um dos agressores a pega pelo cabelo para forçar o que seria um “beijo”.

 

Minha opinião

Não é de hoje que ouvimos, observamos e mesmo presenciamos violência de tal magnitude: o machismo que gera a ideia de que a mulher é ser inferior, de que a mulher é posse. Nesse caso específico, vimos a oportunidade de aparecer o fator fascista – para quem não sabe, nível máximo do conservadorismo e ignorância políticas. As mulheres não podem se calar; nesse intuito, devemos sempre nos solidarizar e estimular não somente as denúncias, mas debater formas de reduzir e evitar a violência e o feminicídio (crimes de gênero), além de acelerar o processo de ruptura com o patriarcalismo, com o machismo.

Também não se pode ser mero expectador do oportuno caráter fascista o qual se deu neste ato. Em uma situação de acirramento de lutas de classes e com o capital usando o Estado para reprimir, oprimir, expropriar e explorar ainda mais para garantir sua sobrevivência, tal ideia tão vulgar e desumanizadora como uma ideologia conservadora, no entanto, com face “moderna”, encontra na própria população, sem perspectivas, acuada e sem organização, espaço suficiente para proliferar-se, crescer.

Em torno não somente do fato ocorrido, mas da necessidade de se combater a onda fascista que vem surgindo (e entendido, também, que o próprio Estado acaba por, além de contribuir, adquirir esta face violenta do capital), foi realizado um ato contra o machismo, conservadorismo e intolerância. Desde o início, houve muita reatividade. Pessoas desde o campo reacionário até aquela direita que chamamos de “direitosa” (o nível mais absurdo com proliferações pueris e energúmenas). O ato em si foi bastante proveitoso, com uma relativa mediação – porém nos demonstrou que a esquerda ainda é fragmentada – e o quanto as contradições que a permeiam fazem parte de um processo de domesticação e apassivamento dos movimentos sociais. Não é necessário dizer que este “cala boca” de diversos setores populares em luta forjou um campo mais gelatinoso dentro da própria esquerda, como também é o dispositivo que mais tem influenciado no avanço das ideias conservadoras na massa trabalhadora.

A luta é imprescindível. Somente a unidade entre os diversos setores de esquerda, daqueles que lutam cotidianamente na realidade concreta dos trabalhadores, a unidade com os movimentos sociais, oriundos do objetivo de impedir o avanço das mazelas que os oprimem; a partir de uma mediação que consiga mostrar aos trabalhadores e trabalhadoras o quão importante é a resistência, também assim passará a ser entendido e efetuada a luta cotidiana contra aquilo que nos subjuga, que nos mata – a luta cotidiana pela superação do capitalismo através das mãos daqueles que realmente constroem o mundo.

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