O Núcleo Criminal do Ministério Público Federal (MPF) na Bahia apresentou nesta quarta-feira (23) representação contra Mirella Cunha, repórter do programa Brasil Urgente, exibido pela emissora Band.
O objetivo é apurar violações de direitos humanos de um entrevistado. Durante a matéria “Chororô na delegacia: acusado de estupro alega inocência”, a repórter o acusa um jovem negro de estupro e o humilha pelos seus erros de português.
Ele havia sido detido por tentativa de roubo e se encontrava algemado na hora da gravação, feita na 12ª Delegacia de Itapoã, em Salvador. Postado na internet, o vídeo provocou indignação nas redes sociais.
Um grupo de jornalistas também de manifestou por meio de uma carta aberta ao governador Jacques Wagner (PT), entre outras autoridades do poder público baiano, exigindo providências. Divulgado há dois dias, o documento já conta com mais de 500 assinaturas de comunicadores de diversos estados do país.
Pedro Caribé, do Coletivo Intervozes, ressalta que a responsabilidade no caso não é apenas da jornalista, sendo parte de um processo produtivo que envolve outros profissionais e a própria Band, que possui uma concessão pública de TV.
O comunicador, que assinou a carta e integra o Conselho de Comunicação na Bahia, defende a criação de mecanismos para a regulação da mídia. Ele explica que a prática contribuiria no combate a violações como as cometidas por este “programa policialesco”que reproduz o “terror e o caos”.
As investigações sobre a matéria do Brasil Urgente continuam. O MPF da Bahia solicitou cópia do auto de prisão do jovem entrevistado. Também pediu a fita bruta com as imagens à filiada da Band no estado. A emissora tem um prazo de cinco dias para enviar o material.
Confira a entrevista sobre o tema com o jornalista baiano Pedro Caribé. (pulsar)
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24/05/2012
Audios disponíveis:
Entrevista – Pedro Caribé comenta caso de violação de direitos humanos em programa da Band.
7 e 10 seg. (3,37 MB) arquivo mp3
(*) Matéria reproduzida da rádio Pulsar Brasil.

Todos sabemos o nível da nossa TV, mas sinceramente, não imaginava que tivéssemos chegado a esse ponto, lamentável…