Movimentos Populares X Banco Central “independente”

Se é verdade que os países centrais e periféricos do Capitalismo, sem participarem de qualquer pleito eleitoral estabeleceram a praxe de uma anedótica “independência” de seu respectivo Banco Central, em relação ao Governo Democraticamente eleito, também é certo tratar-se de uma manobra que garroteia, em seu favor, qualquer gestão governamental legitimamente eleita, à medida que:

 

  • Rompe a unidade da gestão governamental, democraticamente eleita, ao impedir, na prática, o cumprimento do programa governamental vitorioso nas urnas;

  • Milita, sem qualquer limite, para favorecer, direta ou indiretamente, a transferência de renda em favor do setor financeiro, recorrendo a mil truques;

  • Força o governo democraticamente eleito a reduzir fortemente os investimentos públicos, constantes do seu programa de Governo, vitorioso nas urnas;

  • Ao mesmo tempo que impede investimentos públicos em obras essenciais, tachando-os de gastos, não só não considera gastos, mas obriga o governo a garantir religiosamente o pagamento dos serviços da monstruosa dívida pública, que já se aproximam de 800 bilhões de reais, cujos cálculos, de tão duvidosos, requereriam uma auditoria, como propõe Maria Lúcia Fatorelli;

  •  Mesmo assim, esta “dívida” corresponde a menos de 80% do PIB, enquanto em diversos países centrais do capitalismo, ultrapassa 100% do PIB…

  • A mídia hegemônica é mantida absolutamente silenciosa frente a este escândalo, mantendo-se claramente em defesa do sistema financeiro por quem é paga “Quem come do meu pirão, prova do meu cinturão”;

  • O Congresso, composto em sua enorme maioria por parlamentares financiados pelos grandes empresários, não apenas apoia o Banco Central, como o defende caninamente.

 

Em razão desta escandalosa independência, noo presidente do Banco Central é sempre uma figura profundamente em linha com os interesses do Mercado Financeiro, com a agravante de não poder ser demitido pelo Presidente da República, o que desequilibra toda a gestão pública constante do seu programa de Governo. É bem o que acontece na atualidade brasileira, cujo Banco Central tem na presidência um bolsonarista crescentemente comprometido com os interesses do sistema financeiro. Neste sentido, vale a pena conferir, pelos links que seguem, 2 depoimentos convincentes sobre o que anda acontecendo:

 

 

João Pessoa, 03 de julho de 2024

Ilustração: Renato Aroeira (@arocartum), Brasil 247, 02/07/2024

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