Ministro Helio Costa é vaiado na abertura da I Conferência Nacional de Comunicação

Abertura_Confecom_-_Credito_Agencia_BrasilNa abertura da I Conferência de Comunicação, ontem, em Brasília, o ministro das Comunicações Helio Costa começou a ser vaiado quando entrou no palco e mal conseguiu concluir o discurso.
“Ô Helio Costa, que papelão! O empresário é seu patrão!”, gritaram os manifestantes.
Helio Costa compôs a mesa de abertura da I Confecom junto ao Presidente Lula, aos ministros Luiz Dulci (Presidência) e Franklin Martins (Comunicação Social), ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, ao presidente da Associação Brasileira de Radiodifusão (Abra) e da Rede Bandeirantes, Johnny Saad, e de dois dos representantes da sociedade civil não empresarial, Celso Schroder, do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC), e Rosane Bertotti, da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Cerca de mil pessoas participaram da abertura.
Há poucas horas do início da solenidade, o empresariado presente na Comissão Organizadora da Confecom – setores representados pela Abra e pela Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) – novamente ameaçaram se retirar da Conferência. Para permanecerem, querem que os temas considerados sensíveis – como controle público da mídia, por exemplo – só sejam encaminhados para a plenária final se tiverem 60% de aprovação nos grupos de trabalho, sendo que deve haver pelo menos um voto de cada seguimento – sociedade civil não empresarial, empresariado e poder público – favorável à proposta.
Dentro da Comissão Organizadora da Confecom, o empresariado conseguiu aprovar esse método, mas até às 23h da noite de ontem, a sociedade civil não empresarial ainda realizava uma plenária para deliberar sobre que encaminhamento tomar diante do quadro.
Lula critica empresários que se retiraram da organização da Confecom
No discurso de abertura, Helio Costa lembrou que 60 conferências foram realizadas no Brasil, dos mais diversos temas, e que muitas delas foram esperadas, mas nenhuma tão inédita quanto a Confecom. O Ministro elogiou também a postura de Lula por ter convocado a Conferência.
“Quero saldar o presidente Lula, que teve a coragem de convocar essa Confecom”, afirmou.
Ao contrário de Helio Costa, o presidente foi ovacionado pela platéia, sobretudo quando lembrou os empresários que se retiraram da construção da Conferência.
“Lamento que alguns tenham preferido se ausentar, temendo sabe-se lá o quê. Mas cada um é dono da sua decisão e sabe onde o sapato aperta o calo”, ironizou.
Lula se referia aos empresários da comunicação reunidos na Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), da qual participa a Rede Globo, o SBT, entre outras. Ele também elogiou a Associação Brasileira de Radiofusão (Abra), que fez parte da Comissão Organizadora da Confecom. A Abra reúne a Band e Rede TV.
Atividade complexa
O presidente Lula se referiu aos trabalhos da Conferência como uma atividade complexa demais para que apenas o poder público, algum setor específico ou especialistas executem. Por isso, salientou que a diversidade presente na Confecom é “muito bem-vinda”.
Lula mencionou os excessos cometidos pelos meios de comunicação, mas não citou nomes. O presidente disse que assim mesmo vive-se no Brasil sob o “signo da liberdade de imprensa” e que a verdade acaba prevalecendo.
“Não há nada melhor contra os excessos cometidos pela imprensa do que a própria liberdade de imprensa”, declarou.
Durante vários momentos do discurso do presidente, pessoas presentes tentavam chamar a atenção dele para a questão das rádios comunitárias. “E as rádios comunitárias, presidente?”, disseram do meio do público, cobrando uma postura contra a criminalização.
Em resposta aos manifestantes, Lula reconheceu o problema das rádios comunitárias, mas não fez nenhuma promessa para acabar com a criminalização. Ele criticou o fato de que muitas rádios comunitárias, na verdade, estejam nas mãos de políticos tradicionais.
“É necessário que o movimento comunitário se comporte da forma mais séria do mundo”, asseverou.
Batalha não termina na Confecom
Celso Schoreder, do FNDC, frisou a importância de já se anunciar, nesta Conferência, a data da próxima. Ele também cobrou o fim da criminalização das rádios comunitárias.
Rosane Bertotti, da CUT, lembrou que a Conferência de Comunicação é apenas uma etapa.
“Depois daqui iremos para a rua para fazer a democratização da Comunicação que a gente precisa. Não existe democracia plena sem democratização da comunicação”, exclamou.
Johnny Saad, do Grupo Bandeirantes, por um lado, também foi vaiado pelo público, em menor proporção do que Helio Costa, mas por outro lado foi aplaudido de pé por setores do empresariado. Saad começou dizendo que a democracia tem algumas qualidades, entre elas a liberdade de imprensa e também de expressão comercial.
“Nós estamos aqui com os espíritos desarmados. Viemos ouvir as propostas, também queremos mais pluralidade e queremos fortalecer o Brasil”, assegurou.
A I Conferência Nacional de Comunicação vai até o dia 17 de dezembro. Na cerimônia de abertura o jornalista Daniel Herz, autor do livro “A História Secreta da Rede Globo”, foi homenageado. Após a exibição de um documentário sobre a vida do jornalista e professor, que faleceu há três anos, os filhos de Herz receberam uma placa em homenagem ao pai.

5 comentários sobre “Ministro Helio Costa é vaiado na abertura da I Conferência Nacional de Comunicação”

  1. O PIOR FOI A DECLARAÇÃO DA GLOBO NO JORNAL NACIONAL DIZENDO QUE AS PROPOSTAS DE CONTROLE SOCIAL DA MÍDIA É UMA ATAQUE À “LIBERDADE DE IMPRENSA”!!!! ELA É TAO LIVRE QUE A PRÓPRIA GLOBO NAO MOSTROU NADA DO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO E DA PRÓPRIA CONFERÊNCIA. COISAS DA “FALTA DE LIBERDADE”….
    PARABÉNS AO FAZENDO MÉDIA POR ESTAR COBRINDO ESTE EVENTO TAO IMPORTANTE!

  2. Lula negociou (entre outras coisas) o ministério das comunicaçoes com a famiglia marinho, por isso temos que aturar esse tal de helio globo, que fez de tudo prá sabotar a Confecom e vem cumprindo fielmente nestes quase 8 anos de governo a “tarefa” de manter o oligopólio privado das comunicaçoes no Brasil.
    Por isso, as vais sao mais que merecidas e foram poucas. Esta humilhaçao pública é o preço (barato) que os lacaios do poder imperialista nao escapam de pagar diante do povo!
    Ficamos na torcida para que os representantes da sociedade civil e também do governo, possam aprovar as propostas que realmente façam avançar a democratizaçao das comunicaçoes neste país. Pois, do jeito que está nao pode ficar.
    Vivemos como cegos, surdos e mudos, no que diz respeito à comunicaçao, mas certamente nao somos estúpidos e vamos exigir nosso direito humano à comunicaçao, que é a base da verdadeira democracia e da justiça social.
    PELA DEMOCRATIZAÇAO DA COMUNICAÇAO NO BRASIL, VIVA A CONFECOM!!!!!!!!!!!!

  3. Os interesses da Globo estão tão entranhados no poder que vai ser preciso muito peito para que esta conferência de imprensa possa abranger os interesses populares um bom começo seria tirar o ministro Hélio Costa de la

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