Hoje não tem artigo, crônica ou crítica. Tem música.
E é uma canção belíssima, que me deixou arrepiado já quando a ouvi pela primeira vez, cantada pelo nosso Fagner, em dueto com o autor Joan Manuel Serrat (foto): La Saeta.
Talvez porque, desde meus verdes anos, sempre me incomodasse a opulência do catolicismo oficial — aquele dos altares, das procissões e das Redentoras.
Com o tempo aprendi que não era esse o verdadeiro legado de Jesus Cristo, mas sim uma mensagem de esperança para os pobres, os humildes, os fracos, os desprotegidos, os injustiçados e os excluídos.
Tudo a ver com essa altaneira negação do Cristo dos crucifixos (sois pecadores, arrependei-vos!) para afirmar o Jesus que andava sobre as águas (tudo podeis, libertai-vos!).
Eis a empolgante letra de La Saeta (clique aqui para assistir ao vídeo):
¿Quién me presta una escalera
para subir al madero
para quitarle los clavos
a Jesús el Nazareno?
al Cristo de los gitanos
siempre con sangre en las manos,
siempre por desenclavar.
Cantar del pueblo andaluz
que todas las primaveras
anda pidiendo escaleras
para subir a la cruz.
Cantar de la tierra mía
que echa flores
al Jesús de la agonía
y es la fe de mis mayores.
¡Oh, no eres tú mi cantar
no puedo cantar, ni quiero
a este Jesús del madero
sino al que anduvo en la mar!
