Mensagem do Papa Francisco: misericórdia, amor, serviço

“Jesus, na presença de Seus discípulos, fez muitos outros sinais, que não foram escritos, neste livro.”

O Evangelho da Misericórdia de Deus – a ser lido, relido, porque quando Jesus diz o que foi realizado, é a expressão da Misericórdia do Pai. Mas, nem tudo foi escrito: o Evangelho da Misericórdia permanece um livro aberto, no qual devem continuar sendo escritos os sinais dos discípulos de Cristo, os gestos de Amor, que são o melhor testemunho da Misericórdia.
Todos somos chamados a nos tornarmos escritores vivos do Evangelho, portadores da Boa Nova a todo homem e a toda a mulher de hoje!

Nós podemos pôr em prática isto, fazendo as obras de Misericória, corporais e espirituais, que são o modo de vida dos cristãos. Por meio desses gestos simples e fortes, por vezes até invisíveis, podemos visitar a quantos se acham necessitados, levando-lhes a ternura e o consolo de Deus. Assim se dá continuidade ao que fez Jesus, no dia de Páscoa, ao derramar no coração dos discípulos amedrontados a misericórdia do Pai, sobre eles infundindo o Espírito Santo que perdoa os pecados e dá a alegria.

Entretanto, no relato que acabamos de escutar, há um contraste evidente: de um lado, há o temor dos discípulos, que fecham as portas da casa em que se encontravam; por outro lado, há a missão dada por Jesus, que os envia a levar ao mundo o anúncio do perdão. Este contraste também pode dar-se em nós, numa luta interior entre o fechamento do coração e o chamamento amoroso para abrirmos as portas e sairmos de nós mesmos.

Cristo, que por amor, entrou pelas portas fechadas do pecado, da morte e do mal, também deseja entrar em cada um, para escancarar as portas fechadas do coração. Ele, que com a Ressurreição, venceu o medo e o temor que nos aprisionavam, quer escancarar nossas portas fechadas e nos enviar. A estrada que o Mestre ressuscitado nos indica é de sentido único, tem uma única direção: sair de nós mesmos, sair para testemunharmos a força regeneradora do Amor que nos conquistou.

Vemos diante de nós uma humanidade tantas vezes ferida e atemorizada, trazendo as cicatrizes da dor e da incerteza. Diante do sofrido grito de misericórdia e de paz, sentimos que hoje é dirigido a cada um de nós o convite confiante: “Assim como o Pai Me enviou, Eu também os envio.”

Toda enfermidade pode encontrar na misericórdia de Deus um amparo eficaz. De fato, a Misericórdia não para à distância: deseja vir ao encontro de todo tipo de pobreza e libertar de todas as formas de escravidão, que afligem o nosso mundo. Quer tocar as feridas de cada um, para curá-las. Ser apóstolos de misercidórdia significa tocar e acariciar suas feridas, presentes também hoje, no corpo e na alma de tantos irmãos e irmãs. Quando curamos essas chagas, estamos a professar a Jesus, nós O tornamos presente; permitimos a outros que toquem com a mão Sua misericórdia, que O reconheçam como “Meu Senhor e meu Deus”. Como fez o apóstolo Tomé.

Eis a missão que nos é confiada: muitas pessoas pedem que sejam escutadas e compreendidas. O Evangelho da Misericórdia, a ser anunciado e escrito na vida, está à procura de pessoas de coração paciente e aberto, procura bons samaritanos, que conhecem a compaixão e o silêncio diante do mistério do irmão e da irmã; requer pessoas servidoras, generosas e alegres, que amam com gratuidade, sem nada esperar em troca.

“Eu vos dou a paz!” A saudação de Cristo aos Seus discípulos é a mesma paz que esperam os homens do nosso tempo. Não é uma paz “negociada”, não é a suspensão de algo que não funciona: é a Sua paz, a paz que provém do coração do Ressuscitado. É a paz que venceu o pecado, a morte e o medo. É a paz que não divide, mas une. É a paz que não nos deixa sozinhos, mas nos faz sentir acolhidos e amados. É a paz que, permanecendo na dor, faz florescer a esperança. Esta paz, como no dia de Páscoa, nasce e renasce sempre do perdão de Deus, que tira a ansiedade do coração. Ser portadora de Sua paz – eis a missão confiada à Igreja, no dia de Páscoa. Nascemos em Cristo como instrumentos de reconciliação, para levar a todos o perdão do Pai, para revelar Seu rosto único de Amor, nos sinais da Miesericórdia.

No Salmo responsorial, foi proclamado: “Seu amor é para sempre.” É verdade: a misericórdia de Deus é eterna: não termina, não se esgota, não se rende diante dos fechamentos, e nunca para. Neste “para sempre” encontramos apoio, nos momentos de provação e de fragilidade, porque estamos certos de que Deus não nos abandona: Ele permance conosco para sempre. Por isto, agradeçamos-Lhe por Seu Amor tão grande, que é impossível de compreender: é imenso!

Peçamos a graça de jamais cessarmos de alcançar a misericórdia do Pai e de leva-la ao mundo. Peçamos que nós próprios sejamos misericordiosos, para difundirmos, por toda a parte, a força do Evangelho, para escrevermos aquelas páginas do Evangelho, que o apóstolo João não escreveu.

https://www.youtube.com/watch?v=yBGZl5KqvGw
(Do minuto 36:16 ao minuto 46:20)
Trad.: AJFC

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