Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 05.08.2018

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Nestes últimos domingos, a Liturgia nos mostrou a imagem cheia de ternura de Jesus, vindo ao encontro das multidões e de suas necessidades. Na página do Evangelho de hoje, a perspectiva muda: é a multidão, que havia sido saciada por Jesus, que se põe de novo à procura dEle, e que vai ao encontro de Jesus. Mas, para Jesus, não basta que a gente O procure, Ele quer que a gente O conheça; quer que a procura dEle e o encontro com Ele vão além da satisfação imediata das necessidades materiais. Jesus veio trazer-nos algo mais, para abrir nossa existência a um horizonte mais amplo, com relação às preocupações do dia-a-dia, do alimentar-nos, vestir-nos, da carreira profissional, e assim por diante. Por isso, dirigindo-se à multidão, exclama: “Você me procuram, não por terem visto sinais, mas porque comeram daqueles pães e foram saciados”. Assim incentiva a multidão a dar um passo à frente, a perguntar-se sobre o significado do milagre, e não apenas para tirar proveito. Com efeito, a multiplicação dos pães e dos peixes é sinal do grande dom que o Pai concedeu à humanidade e que é o próprio Jesus!

Ele é o verdadeiro Pão da vida. Ele quer saciar, não apenas os corpos, mas também as almas, dando o alimento espiritual que pode satisfazer a fome profunda. Para isso, convida a multidão a procurar, não o alimento que não dura, mas o que permanece pela vida eterna. Trata-se de um alimento que Jesus nos dá a cada dia: Sua Palavra, Seu Corpo, Seu Sangue. A multidão escuta o convite do Senhor, mas não compreende seu sentido – como sucede também, tantas vezes a nós – ela pergunta: “O que devemos realizar para fazer as obras de Deus?”. Os ouvintes de Jesus pensam que Ele lhes está pedindo a observância dos preceitos para conseguirem outros milagres como o da multiplicação dos pães. É uma tentação comum, a de reduzir a religião apenas à prática das leis, projetando nossa relação com Deus à imagem da relação entre empregados e seus patrões: os empregados devem fazer as tarefas que os patrões mandaram, para terem sua aprovação. Todos nós sabemos disto. Por isso a multidão quer saber de Jesus, que ações deve realizar para agradar a Deus. Mas Jesus dá uma resposta inesperada: “Esta é a obra de Deus: que creiam nAquele que Ele enviou”. Estas palavras são dirigidas, hoje, também a nós: a obra de Deus não consiste tanto em fazer coisas, mas em crer nAquele que Deus enviou. Isso significa que a fé em Jesus nos permite fazer as obras de Deus. Se nos envolvermos nesta relação de amor e de confiança com Jesus, seremos capazes de realizar boas obras que cheiram a Evangelho, para o bem e para as necessidades dos irmãos.

O Senhor nos convida a não esquecermos que, se é necessário preocupar-nos com o pão, ainda mais importante é que cultivemos a relação com Ele, que reforcemos nossa fé nEle, que é o Pão da vida, que veio para saciar nossa fome de Verdade, nossa fome de Justiça, nossa fome de Amor. Que a Virgem Maria, no dia em que relembramos a dedicação da Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma,  a “Salus Popui Romani”, nos mantenha em nosso caminho de fé, e que nos ajude a abandonar-nos, com alegria ao designo de Deus em relação a nossa vida.

https://www.youtube.com/watch?v=ZbMkTIOOVqw

(Do minuto 3:03 ao minuto 08:03)

Trad.: AJFC

Digitação: Heloise Calado Bandeira

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