Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 23/07/2017

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

A página evangélica de hoje propõe três parábolas, por meio das quais Jesus fala às multidões sobre o Reino de Deus. Restrinjo-me à primeira – a da boa semente e da cizânia, que ilustra o problema do mal no mundo e destaca a paciência d Deus. Quanta paciência Deus tem! Inclusive, cada um de nós pode dizer isto: “Quanta paciência Deus tem comigo!” O relato se passa em um campo com dois protagonistas opostos: de um lado, o proprietário do campo, que representa Deus, que espalha a boa semente; do outro, o inimigo, que representa Satanás, ao espalhar a herva má.

Com o passar do tempo, em meio à boa semente, também cresce a cizânia, e diante deste fato, o proprietário do campo e seus empregados assumem distintas atitudes: os empregados gostariam de intervir, arrancando a cizânia, mas o proprietário, que está preocupado sobretudo com salvar a boa semente, opõe-se, dizendo: “Para não acontecer que, ao se recolher a cizânia,com ela também se arranque a boa semente.” Com tal imagem, Jesus nos diz que, no mundo, o bem e o mal se acham de tal modo entrelaçados, que é impossível separá-los e arrancar todo o mal. Só Deus pode fazer isto, e o fará no Juízo final.

Devido às aus ambiguidades e ao seu caráter complexo, a situação presente é o campo da liberdade, o campo da liberdade dos cristãos, no qual se exercita a difícl tarefa do discernimento entre o bem e o mal.

E neste campo, traa-se, portanto, de conjugar, com grande confiança em Deus e em Sua providência, a decisão e a paciência. A decisão é a de querermos ser a boa semente – todos queremos sê-la -, com todas as nossas forças, e portanto tomar distâncias do Maligno e de suas seduções. Paciência significa preferir uma Igreja que seja fermento na massa, que não tema sujar as mãos, ao lavar a roupa de seus filhos, a uma Igreja de “puros”, que pretenda julgar antes do tempo quem é que está no Reino de Deus e quem é que não está.

Que o Senhor, que é a Sabedoria incarnada, nos ajude a compreender que o bem e o mal não podem ser identificados com territórios definidos ou com determinados grupos humanos: “Estes são os ´puros´, “Estes são os maus” Ele nos diz que a linha divisória entre o bem e o mal passa no coração de cada pessoa, passa pelo coração de cada um de nós. Ou seja: nós todos somos pecadores. Teno vontade de lhes perguntar: Quem não for pecador, levante a mão.” Ninguém levantou, porque todos somos pecadores, todos somos pecadores. Com Sua morte na cruz e com Sua ressurreição, Jesus nos libertou da escravidão do pecado, e nos dá a graça de caminhar numa vida nova. Mas, com o Batismo, Ele também nos deixou a Confissão, porque sempre temos necessidade de ser perdoados de nossos. Ficar sempre olhando apenas o mal estando fora de nós, significa que não queremos reconhecer o pecado que há també em nós.

Em seguida, Jesus ensina uma maneira diferente de olharmos o campo domundo, a observarmos a realidade. Somos chamados a aprender os tempos de Deus – que não são os nossos tempos – e também o olhar de Deus, pois graças ao benéfico influxo de uma espera ansiosa, o que era cizânia ou parecia cizânia, pode tornar-se um produto bom. É a realidade da conversão, é a perspectiva da esperança!

Que a Virgem Maria nos ajude a colhermos, na realiadde que nos rodeia, não apenas a sujeira o mal, mas também o bem e o belo; a desmascarar a obra de Satanás, mas sobretudo, a confiar na ação de Deus, que fecunda a história.

https://www.youtube.com/watch?v=FcW2Oya5zRM&feature=youtu.be
(Do minuto 10:59 ao minuto 17:31)
Trad.: AJFC

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