Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 02.07.2017

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

A Liturgia de hoje nos apresenta os últimos passos do Discurso Missionário do capítulo 10 do Evangelho de Mateus, com os quais Jesus instrui os doze apóstolos, no momento em que, pela primeira vez, os envia em missão, às aldeias da Galiléia e da Judéia. Nesta parte final, Jesus sublinha dois aspectos essenciais para a vida do discípulo missionário: o primeiro: que sua relação com Jesus seja mais forte do que qualquer outra; o segundo: que o missionário não leve a si mesmo, mas a Jesus, e, por meio dEle, o amor do Pai Celeste. Estes dois aspectos estão interrelacionados, porque quanto mais Jesus estiver no centro do coração e da vida do discípulo, tanto mais este discípulo estará transparecendo Sua presença. Vão juntas as duas relações.

“Quem amar sua mãe ou seu pai mais do que a Mim, não é digno de Mim”, diz Jesus. O afeto de um pai, a ternura de uma mãe, a doce amizade entre irmãos e irmãs – tudo isto, mesmo sendo muito bom e legitimo, não pode ser anteposto a Cristo. Não porque Ele nos queira sem coração e privados de reconhecimento. Antes, pelo contrário. Mas, porque a condição de discípulo exige uma relação prioritária com o Mestre. Qualquer discípulo – seja um leigo, uma leiga, um sacerdote, um bispo: relação prioritária. Talvez, a primeira pergunta que devamos fazer a um cristão, seja: “Você se encontra com Jesus? Você ora a Jesus?” A relação! Poder-se-ia como que parafrasear o Livro do Gênesis: Por isto, o homem deixará seu pai e sua mãe, e se unirá a Jesus Cristo, e os dois serão uma só coisa.

Quem se deixa atrair neste vínculo de amor e de vida com o Senhor Jesus, torna-se um representante dEle, um embaixador dEle, sobretudo por seu modo de ser, de viver. A ponto de o próprio Jesus, ao enviar Seus discípulos em missão, lhes dizer: “Quem os acohe, acolhe a Mim, e quem Me acolhe, acolhe Aquele que Me enviou.” É preciso que o povo possa perceber que para aquele discípulo, Jesus é verdadeiramente o Senhor, é verdadeiramente o centro de Sua vida, o Tudo da vida. Não importa que depois, como toda pessoa humana, tenha seus limites, seus erros – contanto que tenha a humildade de reconhecê-los. O importante é que não tenha duplicidade de coração: isto é um perigo. Eu sou cristão, sou discípulo de Jesus, sou sacerdote, sou bispo, mas tenho duplicidade de coração. Não! Assim não dá!

Não se deve ter duplicidade de coração, mas um coração simples, unido, que não se ponham os pés pelas mãos, mas que seja honesto consigo e com os outros. A vida dupla não é cristã. Por isto, Jesus pede ao Pai que os discípulos não sucumbam ao espírito mundano. Ou você está com Jesus, com o Espírito de Jesus ou está com o espírito do mundo. E aqui, nossa esperança de sacerdotes nos ensina uma coisa muito bonina, uma coisa muito importante: é justamente a acolhida do povo santo fiel a Deus, é justamente aquele copo de água fria, de que fala o Senhor, no Evangelho de hoje, dado com fé afetuosa, que o ajuda a ser um bom padre. Também na missão, há uma reciprocidade: se você deixa tudo por Jesus, o povo reconhece o Senhor em você, mas ao mesmo tempo, o ajuda a converter-se a Ele, a cada dia, a que você renove e purifique seus compromissos, e a superar as tentações. Quanto mais próximo do povo de Deus estiver um sacerdote, tanto mais perto ele se sentirá de Jesus. E quanto mais perto de Jesus estiver um sacerdote, tanto mais próximo ele se sentirá do povo de Deus.

A Virgem Maria experimentou, na primeira pessoa, o que significa amar a Jesus, saindo de si mesma, dando um novo sentido às relações familiares, a partir da fé nEle. Que pela sua materna intercessão, ela nos ajude a sermos livres e alegres missionários do Evangelho!

https://www.youtube.com/watch?v=U1mMgiC1aYE(Do minuto 10:29 ao minuto 17 09:)
Trad.: AJFC

Deixe uma resposta