Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus” – dia 26.09.21

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho da Liturgia de hoje nos conta um breve diálogo entre Jesus e o Apóstolo João, que fala em nome de todo o grupo dos discípulos. Eles viram um homem que expulsava demônios em nome do Senhor, mas eles o haviam impedido porque ele não fazia parte do grupo deles. À esta altura, Jesus os convida a não impedirem a quem faz o bem, porque assim contribui para realizar o projeto de Deus. Em seguida, adverte: em vez de dividirmos as pessoas entre boas e más, todos somos chamados a manter vigilância sobre nosso coração, para que não nos aconteça de sucumbirmos ao mal e de provocar escândalo aos outros.

As palavras de Jesus revelam, em suma, uma tentação e oferecem uma exortação. A tentação é do fechamento. Os discípulos queriam impedir uma boa obra só porque quem a praticou não pertencia ao grupo deles. Pensam que gozam de exclusividade junto a Jesus e de serem os único autorizados a trabalharem pelo Reino de Deus. Mas assim acabam sentindo-se os prediletos enquanto consideram os outros como estranhos, ao ponto de se tornarem hostis em seu confronto. Irmãos e irmãs, com efeito, todo fechamento nos faz manter distância de quem não pensa como nós e isto, bem o sabemos, é a raiz de muitos males na história: do absolutismo que muitas vezes causou ditaduras e de muitas violências na confrontação com quem é diferente.

Mas também é preciso cuidado com o fechamento na Igreja. Porque o diabo é divisionista – é isto que significa a palavra “diabo”: o que provoca divisão – sempre insinua suspeitos para dividir e excluir as pessoas. Tenta com astúcia, e isto pode acontecer tal como sucedeu aos discípulos, que chegam a excluir até mesmo quem havia expulsado o próprio demônio!. Por vezes, nós também, ao invés de sermos comunidades humildes e abertas, podemos dar a impressão de bancarmos os primeiros da sala, mantendo os outros distantes de nós. Em vez de buscarmos caminhar com todos, podemos estar exibindo nossa “patente de crentes”: “Eu sou crente”, “Eu sou católico”, “Eu sou católica”, “pertenço à tal associação, à outra…”, e os coitados dos outros, não. Isto é pecado! Exibir a patente de crente para julgar e excluir. Peçamos a graça de superar esta tentação de julgar e de catalogar, e que Deus nos preserve da mentalidade de “bolha”, a de nos resguardar cuidadosamente no grupinho de quem se pretende bom: os padres com os seus fieis, os agentes de pastoral fechados entre si para que ninguém se infiltre, os movimentos e as associações em carisma específico, e assim por diante. Fechados. Tudo isto começa a fazer das comunidades cristãs lugares de separação e não de comunhão. O Espírito Santo não quer fechamento, quer abertura, comunidades acolhedoras, onde haja lugar para todos.

Em seguida, o Evangelho traz a exortação de Jesus: em vez de julgarmos tudo e todos, estejamos atentos a nós mesmos! Com efeito, corremos o risco de sermos inflexíveis com os outros e condescendentes conosco. E Jesus nos exorta a não nos conformarmos com o mal, com imagens marcantes: “Se, em você, algo é motivo de escândalo, corte-o!”. Se alguma coisa lhe faz mal, corte-a! Não diz: “Se algo for motivo de escândalo: pare, pense sobre isso, melhore um pouco…” Não: “Corte-o! Imediatamente!. Nisto, Jesus é radical, exigente, mas para o nosso bem, como um bom médico. Cada corte, cada poda, é para crescer melhor e dar frutos no amor. Então, perguntamo-nos: o que há em mim que contraria o Evangelho? Concretamente, o que Jesus quer que eu corte em minha vida?

Peçamos à Virgem Imaculada que nos ajude a sermos acolhedores em relação aos outros e vigilantes conosco.

Trad: AJFC

Digitação: EAFC

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