Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”- Dia 25.07.2021

O Evangelho da Liturgia deste domingo conta o célebre episódio da multiplicação dos pães e dos peixes, por meio da qual Jesus sacia a fome de cerca de cinco mil pessoas que vieram para escutá-Lo. É interessante observarmos como se dá este prodígio: Jesus não cria do nada os pães e os peixes, não, mas opera a partir daquilo que lhe apresentam os discípulos. Um deles diz: “Aqui há um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes: mas o que isto dá para tanta gente?”. É pouco, é nada, mas para Jesus isto basta.

Agora vamos nos colocar no lugar daquele rapaz. Os discípulos lhe pedem para repetir tudo o que ele tem para comer. Parece uma proposta sem sentido, até mesmo, injusta. Por que privar uma pessoa, ainda mais, um moço, daquilo que trouxe de sua casa e que tem o direito de ter como seu? Por que retirar de alguém o que nem é bastante para satisfazer a todos? Do ponto de vista humano não tem lógica. Mas para Deus, não é assim. Antes, justamente graças àquela pequena oferta gratuita, e, por isto, um gesto heróico, Jesus pode matar a sede de todos. Eis um grande ensinamento para nós. Diz-se que o Senhor pode fazer muito com pouca coisa que Lhe pomos à disposição. Seria bom que nos perguntássemos todos os dias: “O que trago hoje para Jesus?”. Ele pode fazer muito com a nossa oração, com o nosso gesto de caridade para com os outros, até mesmo com a nossa miséria permeada da misericórdia Dele. As nossas coisas miúdas oferecidas a Jesus, Ele transforma em milagres. Deus gosta de agir assim: faz coisas grande de coisas pequenas, das coisas gratuitas.

Todos os grande protagonistas da Bíblia – desde Abraão a Maria, até os jovens de hoje – nos mostram esta lógica da coisas pequenas e da doação. A lógica do dom é diferente da nossa. Nós buscamos acumular e aumentar o que temos. Jesus, ao contrário, nos pede para dar, para diminuir. Nós amamos juntar, gostamos das adições. A Jesus agradam as subtrações, o tirar de nós alguma coisa para dar aos outros. Nós queremos multiplicar as nossas coisas, enquanto Jesus aprecia dividir as coisas com os outros, quando partilhamos. É curioso como nos relatos da multiplicação dos pães presentes no Evangelho nunca aparece o verbo multiplicar. Antes, os verbos utilizados sinalizam o contrário: repartir, dar, distribuir. Jamais se usa o verbo multiplicar. O verdadeiro milagre, diz Jesus, não é a multiplicação que produz orgulho e poder, mas a divisão, a partilha, que acrescenta amor e permite a Deus que realize prodígios. Aprendamos a partilhar mais, experimentamos este caminho que Jesus nos ensina.

Também hoje, multiplicar os bens não resolve os problemas, sem uma justa partilha. Vem-nos à mente a tragédia da fome, que afeta particularmente os mais pequenos. Foi estimado – oficialmente – que, a cada dia, no mundo, cerca de sete mil crianças, abaixo dos cinco anos, morrem por motivos ligados à desnutrição, porque elas não têm o necessário para viver. Diante de escândalos que tais, Jesus também nos faz um convite, um convite semelhante ao que provavelmente recebeu o rapaz do Evangelho, rapaz anônimo e que representa cada um de nós: “Tenha coragem, dê o pouco que você tem, seus talentos, e seus bens, coloque-os à disposição de Jesus e dos irmãos. Não tenham medo, nada será perdido, por se compartilhar, Deus multiplica. Supere a falsa modéstia de sentir-se inadequado, confiem em mim. Creia no amor, creia no poder no serviço, creia na força da gratuidade”.

Que a Virgem Maria, que respondem “sim” à inédita proposta de Deus, nos ajude a abrirmos o coração aos convites do Senhor e às necessidades dos outros.

Digitação: AJFC

Trad: EAFC

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