Meditação ao completar 79 anos

Meditação ao completar 79 anos

“Anos passam, as idades chegam,

mil coisas vêm e mais ainda vão.

Todas deixam seu sabor de vida

no jardim secreto do coração.

 

De um jeito ou de outro,

se misturam os sonhos,

cantigas no rumor do vento.

deixam gosto de saudade,

chamam o cuidado

reavivam sentimentos.

 

Muito do que fica,

é memória e experiência,

conquistas ou até desilusão,

dores, surpresas, desejos

buscas, encontros e mesmo dor.

Mesmo quando só restam cinzas

nunca se extingue totalmente

o fogo do primeiro amor.

 

Podem dizer o que quiserem,

que a vida é assim mesmo…

coisas que nem se contam, sei lá

segredos que ficam guardados

frutos que mal se colhem

mas se podem sempre saborear.

 

Assim, a vida segue seu rumo,

como e até onde, quem sabe,

até que um dia, aqui ou acolá,

como se fosse, por acaso

e querendo, sem parecer,

o sopro divino nos fazer voar.

A biologia diz que na natureza, os animais não envelhecem. Quando a força física lhes falta, o animal não pode mais caçar e nem correr para se defender dos seus predadores. Morre. Na arqueologia, diante de um esqueleto primitivo, sabe-se se já se trata de um ser humano ou ainda de um hominídeo, quando o esqueleto revela uma perna ou braço quebrado que depois se ligou. É sinal de que alguém cuidou dele ou dela. Então a velhice é símbolo e expressão maior do cuidado. E o mais importante é que esse cuidado do qual somos sempre objetos nos faz sujeitos de cuidado e testemunhas do cuidado divino. Renovo com vocês o compromisso de, como dizia Dom Helder, ir até o último suspiro da minha vida por essa missão que recebi e por essa relação de amor na qual somos participantes. Obrigado e Deus nos abençoe.

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