Manifestantes saem às ruas para defender o direito à moradia

 Por Douglas Heliodoro e Eduardo Araújo

A luta pela moradia busca garantir um direito previsto na Constituição de 1988: que a propriedade cumpra sua função social. Mas, ao contrário do que está na lei, pequenos grupos de empresários concentram grande parte das propriedades no Rio. Para lutar contra essa situação, moradores de ocupações urbanas e de favelas realizaram no dia 29/8 um protesto contra as ameaças de remoção e em defesa do direito à saúde e educação. Participaram as ocupações Quilombo das Guerreiras e Chiquinha Gonzaga, além de moradores do Morro do Pinto, Providência e apoiadores que atuam na região portuária. A caminhada teve início na ocupação Quilombo das Guerreiras, que fica perto da Rodoviária Novo Rio. Depois seguiu pela Zona Portuária, passando pelo teleférico da Providência até chegar à Central do Brasil.

O Rio vive hoje um processo de especulação imobiliária. As obras realizadas em toda a cidade aumentam o valor dos imóveis e favorecem apenas seus donos e empreiteiras. São ações que não beneficiam a maioria da população. Segundo a historiadora e arquiteta Juliana Oakim, a gestão do Rio vem sofrendo profunda influência do pensamento neoliberal. “Isso inverte o direcionamento do planejamento urbano, que passa a ser orientado pelo e para o mercado, em uma espécie de cidade-empresa”, afirma.

Ocupação Quilombo das Guerreiras é exemplo de resistência

Diante desse cenário, trabalhadores sem teto se organizaram num movimento de retomada de prédios abandonados nas regiões centrais da cidade. Essa luta deu origem a várias ocupações urbanas. Uma delas é a “Quilombo das Guerreiras”, uma das principais organizadoras do protesto do dia 29. A ocupação existe desde 2006 e conta com vários grupos de apoio. Um deles é a Organização Anarquista Terra e Liberdade (OATL), que ajuda desde o início na construção da organização. Lá tudo é decidido de maneira coletiva, sem hierarquias. São 50 famílias que tomam decisões em assembleias, dividem as tarefas de limpeza, portaria, mobilizações e outras. Para garantir autonomia econômica, foram criadas duas cooperativas: uma de alimentos e outra de confecção de chinelos. Também realizam atividades de educação, cineclube, teatro, horta comunitária etc.

Apesar de toda essa vitalidade, a ocupação vem sofrendo grande pressão por parte do governo. “Eles cortaram nossa luz e água para enfraquecer a resistência dos moradores”, conta a educadora popular Ângela de Moraes, moradora da ocupação. Ela também diz que a ocupação está perto de completar sete anos e nesse tempo todo o governo não apresentou nenhuma solução habitacional para a região.

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