Uma manifestação contra a Copa do Mundo reuniu entre mil e 1,5 mil pessoas em São Paulo no sábado, 22 de fevereiro de 2014. A Polícia Militar empregou 2,3 mil homens na operação. Em vez de bombas de gás e balas de borracha, foram usados cassetetes e um pelotão “especializado” em artes marciais.
Dentre os 262 detidos, seis eram jornalistas de grandes veículos que foram levados sob acusação de envolvimento com os “black blocs”. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo contabilizou 14 profissionais detidos arbitrariamente ou agredidos por policiais: http://bit.ly/1fCgM0x. O repórter fotográfico Evelson de Freitas (O Estado de S. Paulo) fotografou o PM agressor na hora em que foi atingido: http://bit.ly/1fiGYZu. Ao menos oito pessoas ficaram feridas.
No Facebook, o professor de Filosofia da USP, Paulo Ortellado, que estava na manifestação, afirmou que “não foi a repressão mais violenta, mas foi a mais grave sucessão de abusos aos direitos civis” que ele já presenciou desde a retomada da democracia no país, com “indiciamentos preventivos, centenas de detenções arbitrárias, cerceamento à cobertura da imprensa e impedimento da ação de advogados”: http://on.fb.me/1hlJvGQ
A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo afirmou que o excesso fica claro até pelo número de detidos, quase um quatro do total de manifestantes, e que vai cobrar a apuração de abusos: http://bit.ly/1cLDWAC
A Corregedoria da Polícia Militar abriu investigação para apurar os abusos contra jornalistas, mas não há nenhuma notícia na imprensa sobre investigações de abusos contra manifestantes: http://bit.ly/1mF2CkB. Destacamos, porém, matéria da BBC Brasil (19/2) mostrando que nenhum policial foi punido até agora pela agressões a jornalistas em 2013: http://bbc.in/1oT9MjQ
O documento fala em mais jornalistas mortos do que as organizações internacionais registraram até agora, segundo o jornal O Globo. O GT sugere a criação de um observatório para monitorar a violência contra os profissionais de mídia: http://glo.bo/1hHdBrC
O comando da Polícia Militar classificou a operação como exitosa. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que houve uma “inovação” na atuação da PM e que vai avaliá-la para a implementação em outros estados. Ele se recusou, porém, a comentar a violência policial porque seria um equívoco antes da averiguação: http://bit.ly/OyozmI
Mais de 700 pessoas já estão sendo investigadas como suspeitas por atos de vandalismo e 40 por “comandarem” black blocs em SP. O número é total, não apenas referente a sábado: http://glo.bo/1muZiVM
Repórter dedicado há muitos anos à área de segurança pública, atualmente Bruno Paes Manso cursa pós-doutorado no Núcleo de Estudos da Violência, na Universidade de São Paulo. Em seu blog no jornal O Estado de S. Paulo, ele aborda as ilegalidades das Polícias Civil e Militar no ato de sábado, afirma que as práticas foram semelhantes às da ditadura e prevê uma retomada forte das manifestações a partir de março como resposta a essas ações: http://bit.ly/1hlzwBm
Jamil Chade, correspondente do mesmo jornal em Genebra, publicou nota com declarações do Frank La Rue a respeito das manifestações contra a Copa: http://bit.ly/1k9MC56
Mais detalhes podem ser encontrados nas matérias abaixo:
O Estado de S. Paulo – 24/02
Em apenas 2 manifestações, PM prende 397 e supera total de detenções de 2013
R7 – 24/02
Jornalistas e polícia compartilham mesmo espaço, diz secretário após agressões em protesto
El País – 23/02
Um protesto com mais policiais que manifestantes
Gazeta do Povo – 23/02
Jornalistas são detidos e agredidos durante protesto em SP; ação é condenada
Terra – 23/02
PM isola manifestantes no centro de SP com estratégia ‘ninja’
Folha de S. Paulo – 22/02
Vídeo mostra cerco policial a manifestantes e jornalista em SP
(Por Damaris Giuliana, jornalista, em colaboração ao blog)
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
