
Esta pintura, de 1640 (aprox.), se chama “Madalena penitente”, também conhecida por Madalena com duas velas (La Madeleine aux deux flammes, em francês). A autoria é de Georges de La Tour e atualmente está no Metropolitan, em Nova Iorque.
Uma Maria Madalena olha para a chama luminosa de duas velhas no espelho. Ela tem um crânio entre as mãos, que sugere o vazio da vaidade parante a face da morte inevitável.
As perturbações no reflexo têm sido associadas ao narcisismo patológico, estados marginais e depressão crônica.
Narciso – a lenda do jovem grego – é divinamente enfeitiçado pelo seu próprio reflexo e, assim, definha. Schopenhauer comparava o intelecto humano a um espelho. Ao mesmo tempo que é ilusão, o espelho gera a capacidade de reflexão sobre si mesmo, o primeiro passo para uma autocrítica que busca superar complexos e promover o equilíbrio entre o consciente e o inconsciente.
Em inglês, “mirror”; uma palavra emprestada do latim “mirari” – admirar-se ou maravilhar-se. Lewis Carrol eternizou “o outro lado do espelho”, leitura recomendável. Personifica o inconsciente para muitos autores.
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
