Luiz Carlos e a defesa do ser humano

fabio nogueiraDomingo, 25 de dezembro, dia onde a grande maioria das famílias se reúnem para confraternizar o Natal. Quem dera que, ao menos neste dia, todos agissem de forma fraterna, pacífica e harmoniosa.
É no centro de São Paulo que de forma repentina o espírito natalino desapareceu, dando vez a mais um caso de barbárie: dois rapazes agrediram até a morte o ambulante Luís Carlos Ruas, conhecido como Índio.
A vítima, inicialmente, era a travesti Raíssa.
Em defesa de Raíssa, o vendedor ambulante de doces, que trabalha na Estação Dom Pedro II resolveu interceder. Luís tentou salvar Raíssa e Pandora, que também estava sendo perseguida pelos rapazes. Por seu ato corajoso e humano, Luís Carlos acabou pagando com a própria vida. Os dois passaram a perseguir o ambulante que, após ser derrubado, foi espancado até a morte.
Nessas horas, questionamos se o ser humano é realmente dotado de inteligência e racionalidade. Será que somos dignos de sermos classificados como racionais? Inacreditavelmente, para muitos, a troca de gênero sexual é capaz de ameaçar a sociedade ou por em risco de extinção a família tradicional. Lembrando o livro de José Murilo de Carvalho, Os Bestializados, tal cena de brutalidade seria definida por muitos pela frase: “Apanhou porque mereceu”.
Morrer por defender outro ser humano de uma agressão gratuita é um ato de compaixão e humanismo.
Enquanto homens como Luís Carlos, tomados de senso de justiça e extremo humanismo, são mortos barbaramente, a sociedade anda para trás e é reconduzida a Idade Média, período repleto de brutalidades.
Fábio Nogueira Estudante de história e militante da Educafro.
Não sei com que armas a III Guerra Mundial será lutada. Mas a IV Guerra Mundial será lutada com paus e pedras. Albert Einstein

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