Líder comunitária ameaçada no Afeganistão: “Eu vejo a minha morte, mas ninguém se importa”

Trabalhar fora de casa na Província de Kandahar, sudoeste do Afeganistão, tornou-se quase impossível para mulheres devido às constantes ameaças e intimidações que recebem de insurgentes.
Ranna Tareen afirma que sofre pressão para largar seu emprego quase todos os dias. Foto: Masoomi/IRIN.Convencida de que será morta caso continue a enfrentar as ameaças, Ranna Tarren, 39 anos de idade, Diretora do Departamento de Assuntos da Mulher de Kandahar e conhecida ativista dos direitos da mulher, decidiu deixar Kandahar e ir ao parlamento em Kabul. Ela contou seus medos à Integrated Regional Information Networks (IRIN), um serviço de informação mantido pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
“Eles [os talibãs] já não me ameaçam por telefone ou carta; em vez disso, vêm ao meu escritório e me intimidam pessoalmente. Eles operam impunemente e o governo não os pode parar. Uma vez eu chamei oficiais de segurança para prender um homem que estava me ameaçando. Eles o prenderam apenas por duas horas. Depois disso, o homem me chamou e perguntou: ‘Você trabalha para o governo?”
Tarren contou aos oficiais sua preocupação em relação a sua segurança. “Me inscrevi para ser transferida para outra província, mas não há vagas. Eu não sei quem está matando as mulheres, nem o porquê. Eu sei que o Talibã é apenas parte do problema, aqui. Toda vez que eles [os talibãs] fazem uma nota de ameaça em uma escola de meninas, o número de estudantes cai. Isso acontece frequentemente, mas não há quem possa acabar com isso.”
Tarren afirma que Kandahar perdeu “muitas de suas bravas mulheres ao longo dos últimos anos”, citando Sitara Achakzai, membro do conselho provincial, morta em abril de 2009; Malalai Kakar, importante policial mulher, morta em setembro de 2008; e Safia Amajan, presidente do Departamento de Assuntos da Mulher, morta em setembro de 2006. “Eu vejo a minha morte, também. O que me incomoda é ver que ninguém se importa com isso”.

7 comentários sobre “Líder comunitária ameaçada no Afeganistão: “Eu vejo a minha morte, mas ninguém se importa””

  1. Textinho pró-imperialista. A mulher quer libertar as mulheres, mas libertar o seu país não. Ela legitima o parlamento, a polícia, a ONU, as “autoridades”, tudo o que venha da ocupação ela legitima. Talvez seja por isso que está ameaçada de morte.

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  3. O machismo e a violência são injustificáveis. Defender ou pretender justificar ameaças de morte é algo inaceitável.
    A luta contra o sexismo e a brutalidade decorrente dele é justa e não é “menor”, muito menos “pró-imperialista”. As mulheres precisam e devem ter o mesmo nível de acesso que os homens ao trabalho e à educação, em qualquer lugar do mundo. E esta luta é uma das bandeiras da esquerda por aqui.

  4. Concordo plenamente com Luiz de Oliveira. A opinião expressa por Alberto Viveiros é de alguém que vive num país em que as mulheres vivem minimamente em pé de igualdade com os homens. Não conhece nada sobre o sexismo brutal das sociedades machistas, e faz um jogo pobre entre “invasores” e a “resistência” afegã. Procure se informar sobre os métodos dos talibãs. E procure também não ser tão maniqueísta: inimigo de inimigo meu não é necessariamente meu amigo. Faça o favor!

  5. Desde tempos remotos, a opressão do “macho” sobre a “fêmea” expira um senso de violência abominável. É fato que o regime Talibã é de um primitivismo, ignorância, ditadorismo, machismo, cabotinismo, anti-espiritualismo, anti-humanismo, terrorista…Se a intenção era combater todos os maus costumes e mau exemplo dos EUA (o “Demônio Branco”) e impor uma nova era onde o crescimento espiritual e filosófico deveria ser mais importante que o crescimento economico, tecnológico,cientifico, e onde estariam em voga os “bons” sentimentos , pp baseado nos deveres e obrigações familiares; como pode um regime desses criar tantos conflitos, tantos abusos no que diz respeito aos direitos humanos? “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”
    O regime Talibã é mesmo incoerente ao conceito de Direitos Humanos, e às quaisquers correntes e evoluções relacionadas.
    Que essa mulher, Ranna Tarren encontre proteção urgente contra esses animais ditos “insurgidores”, que combatem a ocupação do Iraque, utilizando meios criminosos, violando em diversas situações, os direitos humanos. Formam-se grupos com mentes deturpadas por um regime já quase esquizofrênico, com equívoco de valores morais, éticos, políticos, sociais, em consequência desse fundamentalismo religioso, ineficaz, que gera crises de proporção desastrosa sob todos os pontos de vista humanitários. Rigor gera intolerância, que gera violência…Sinto por essa mulher…e esperamos o desenrolar de seu destino…e que seja diferente do daquelas outras mulheres: Sitara Achakzai, Malalai Kakar e Safia Amajan.

  6. Desde tempos remotos, a opressão do “macho” sobre a “fêmea” expira um senso de violência abominável. É fato que o regime Talibã é de um primitivismo, ignorância, ditadorismo, machismo, cabotinismo, anti-espiritualismo, anti-humanismo, terrorista…Se a intenção era combater todos os maus costumes e mau exemplo dos EUA (o “Demônio Branco”) e impor uma nova era onde o crescimento espiritual e filosófico deveria ser mais importante que o crescimento economico, tecnológico,cientifico, e onde estariam em voga os “bons” sentimentos , pp baseado nos deveres e obrigações familiares; como pode um regime desses criar tantos conflitos, tantos abusos no que diz respeito aos direitos humanos? “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”
    O regime Talibã é mesmo incoerente ao conceito de Direitos Humanos, e às quaisquers correntes e evoluções relacionadas.
    Que essa mulher, Ranna Tarren encontre proteção urgente contra esses animais ditos “insurgidores”, que combatem a ocupação do Iraque, utilizando meios criminosos, violando em diversas situações, os direitos humanos. Formam-se grupos com mentes deturpadas por um regime já quase esquizofrênico, com equívoco de valores morais, éticos, políticos, sociais, em consequência desse fundamentalismo religioso, ineficaz, que gera crises de proporção desastrosa sob todos os pontos de vista humanitários. Rigor gera intolerância, que gera violência…Sinto por essa mulher…e esperamos o desenrolar de seu destino…e que seja diferente do daquelas outras mulheres: Sitara Achakzai, Malalai Kakar e Safia Amajan.
    Virgínia Corsini

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