Identificação. Acolhimento. Isto é sobretudo o que busco na leitura. Provavelmente mais acolhimento do que qualquer outra coisa. Ter um lugar aonde ir.
Um lugar onde você pode estar à vontade, sem ter que se defender ou atacar, sem necessidade de representar um papel. Aliás, o papel de leitor é talvez o mais prazeroso já que nos permite ser parte e fazer parte mediante um esforço mínimo, o de abrir um livro.
Escritor/escritora e leitor formam então uma parceria. Um dar as mãos e fazer juntos/juntas, algo em comum. Um crescimento. Um passo a mais. Um aprendizado nesta jornada imprevisível que é a vida.
Lendo recupero partes minhas que me eram desconhecidas e que apenas reconheço no reflexo, no espelhamento. Encontro respostas para indagações que nem sabia que tinha! Saio de encruzilhadas, resolvo de uma penada, penas pesadas arrastadas por anos.
Ocorreu-me dias atrás ao ler uma crônica da Martha Medeiros, uma das minhas escritoras favoritas. A crônica era sobre Mario Benedetti, o poeta uruguaio. A frase final do escrito diz que, para o poeta, não importa o que não foi, mas sim a direção, o rumo que decidimos manter. Foi como por arte de mágica. Senti um alívio imediato. Por isso leio, continuo a ler.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
