Jovens iniciam campanha contra aumento da passagem em São José dos Campos

Jovem com cartaz durante o protesto contra o aumento da passagem. Foto: Felipe Junqueira.

São José dos Campos, interior de São Paulo, é mais uma das cidades em que a possibilidade do aumento na tarifa do transporte público gera insatisfação e leva parte da população a se manifestar nas ruas.
Nesta quarta-feira (11/01) cerca de 100 pessoas, na maioria estudantes, protestaram contra o pedido feito pelas empresas concessionárias do transporte público na cidade que, no final de 2011, solicitaram que o preço da passagem aumentasse de R$ 2,80 para  R$ 3,00.
O ato aconteceu na praça Afonso Penna, região central, e foi convocado pelo OJE  (Organização dos Jovens e Estudantes).  Antes de começar a marcha, os manifestantes resolveram que além do preço da passagem também iriam expressar o seu apoio à favor dos moradores do bairro Pinheirinho, que receberam uma ordem de reintegração de posse e podem ser despejados pela polícia militar até o fim dessa semana.
Em carta distrubuida à população, o movimento explica que os principais eixos da luta são: passe livre para estudantes, aposentados e desempregados; manuntenção dos cobradores nos coletivos; renovação da frota.
Para as empresas o aumento é justo porque os gastos com combustível e manutenção subiram. No início de 2011, a passagem de R$ 2,40 subiu para 2,80. Vários moradores reclamam que, apesar de pagarem mais, a qualidade do serviço não melhorou no início do ano passado.
Suzana Beatriz, integrante do OJE, afirma que o interesse das empresas é aumentar o próprio lucro. “A melhora do transporte não é uma preocupação das empresas, elas não estão preocupadas se os ônibus estão lotados, demoram para passar e não oferecem conforto”, disse a manifestante.
Por sua vez, a prefeitura de São José afirmou que o setor de transporte está analisando o relatório enviado pelas empresas e vai anunciar se aprova ou não o aumento.
Passagem não é mercadoria

Estudantes em passeata em São José dos Campos. Foto: Felipe Junqueira

Durante quase duas horas, os manifestantes caminharam por avenidas e pelo centro comercial da cidade com cartazes questionando a cobrança de um serviço que deveria ser gratuito. Eles também  ironizaram a baixa qualidade do serviço e convidaram a população a se juntar ao protesto.
Os gritos e músicas mais repetidos foram: “ Três reais, mãos o alto, essa passagem é um assalto!”; “ O dinheiro do meu pai não é capim, eu quero passe livre, passe livre sim”; “ Se a passagem aumentar, a cidade vai parar!”; “Se você paga, não deveria porque passagem não é mercadoria!”.
Boa parte da população fazia sinal de aprovação para o protesto e ensaiva cantar alguma das músicas cantadas pelos jovens. A professora Camila Fiatti, que fazia compras durante o protesto, aprovou a iniciativa.
“ Acho um absurdo o aumento da passagem. Alguns estudantes não têm dinheiro para pagar passagem, tem que protestar mesmo. Agora algumas pessoas acham que é bagunça, mas eu acho bem legal!”, disse a professora.
Próximos passos

Outra integrante do OJE, Camila Souza, explica que o primeiro protesto foi na região central para conscientizar a população a respeito do possível aumento e de que é possível lutar contra essa medida. Já foi colocado na internet um abaixo-assinado contra o aumento, e além disso devem ocorrer outros atos e tentavias de negociação com a prefeitura.
“Caso seja concedido o aumento, podem ocorrer atos ‘mais radicais’ como o pular catraca dos ônibus. Mas, por enquanto, a ideia principal é continuar a mobilização e pressionar a prefeitura”, avalia Camila.
(*) Paulo Pastor é estudante de jornalismo da Unesp-Bauru.

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