Irmã Dorothy: 300 anos de opressão e luta. 5 anos de acampamento!

Foto: Reprodução

A ocupação da Fazenda da Pedra, completou no dia 23 de outubro desse ano, 2010, seu quinto aniversário. Mas a história dessa luta tem quase 3 séculos. A apropriação das terras da Fazenda da Pedra data do final do século XVIII, durante o ciclo do café. Desde então a luta pela terra não parou mais. A maior prova disso é a existência do Quilombo de Santana. Uma comunidade remanescente de Quilombolas que luta até hoje pela regularização fundiária. A história dessas duas lutas (Quilombolas e Sem Terra) se encontram na força que os quilombolas deram para a ocupação das terras da Fazenda da Pedra. As terras reivindicadas pelos quilombolas, não fica mais no perímetro da Fazenda da Pedra. Mas a opressão tem origem na mesma família (Carvalho Salgado).
Desde o início da organização da ocupação, ainda durante os trabalhos de base e preparação das famílias, três forças se juntaram (MST, Quilombolas e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra Mansa, através de seu Presidente Bernardino Moreira) e rompemos as cercas e os cercos que impediam o povo de chegar ao direito de retomar seus territórios.
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Essa ocupação teve sabor especial, porque os trabalhadores e trabalhadoras organizadas enfrentaram o poder político do latifúndio. A Prefeitura de Quatis, do Prefeito Alfredo de Oliveira do PT, mobilizou a Guarda Municipal para impedir a ocupação e o Poder Judiciário em conluio com o Governo do Estado mobilizaram a Polícia Militar. O aparato pró-latifúndio ainda contou com o apoio da Deputada Federal Cida Diogo, também do PT, que procurou diversas vezes o INCRA-RJ para tentar parar o Processo de Desapropriação.
Aproveitamos um vacilo das forças repressoras da liberdade, por ocasião do Plebiscito do Desarmamento e como mágica os trabalhadores brotaram do chão, nascendo das terras abandonadas, junto com o desejo de torná-las produtivas de alimentos. Era 25 de outubro de 2005 e logo na primeira assembléia o povo acampado dizia que na Fazenda da Pedra nascia a COMUNIDADE IRMÃ DOROTHY, reforçando a identidade de luta pela terra, resgate da memória dos lutadores e lutadoras do povo e comprometendo-se com o desenvolvimento integrado e sustentável. Irmã Dorothy: PRESENTE EM NOSSA LUTA!!!!
Realizada a ocupação, as ameaças logo começaram. A aposta dos donos do poder é que os deserdados não ficaríamos um dia. Ao final do primeiro dia, após resistir à primeira tentativa de reintegração de posse, a primeira comemoração. Ficamos um dia! A aposta, então, passou a ser que não ficaríamos uma semana: nova comemoração! Depois um mês… Um ano… dois anos… três anos… quatro anos… cinco anos. Cinco anos de luta, de resistência. Muitas bandeiras trocadas, mas o acampamento continua resiste e produz vida, verduras, esperanças…
As trabalhadoras e trabalhadores fazem sua parte: ocupar, resistir, produzir… mas continuam aguardando o Governo Federal e o Poder Judiciário, fazer o mais simples… garantir que a Constituição Federal seja cumprida e o direito a terra garantindo. Até quando vamos comemorar aniversário de resistência do acampamento?? Queremos comemorar o Assentamento!
(*) Reportagem publicada originalmente pela Renajorp.

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