Imperialismo: a gente vê por aqui

Foto: AFPMuito curiosa a cobertura de parte da mídia brasileira sobre o acordo entre Brasil, Turquia e Irã para a utilização de energia nuclear. A TV Record (17/05) foi a única a registrar: o chanceler brasileiro Celso Amorim deu entrevista após a assinatura e foi direto ao ponto:
“Dando tudo certo é uma vitória para o mundo, que demonstra que é possível resolver as coisas não da maneira como feita no caso do Iraque, mas de maneira pacífica”.
É claro que há negócios e política em jogo, ninguém duvida. No entanto, o Brasil manda o recado para os Estados Unidos: não faremos nada pela via bélica. Guerra, não. É também, portanto, uma vitória da paz, contra a estupidez das armas.
Curiosamente o Jornal Nacional, da TV Globo, não mostrou esse trecho no mesmo dia, apesar de estar ao lado do ministro Amorim, gravando. Preferiu dedicar longos minutos à posição… dos Estados Unidos. E chegou a manipular a fala do Secretário-Geral da ONU, usando apenas o trecho em que ele pede “cautela”, apesar de claramente ter classificado o acordo como “positivo” (a nota original aqui).
Na diplomacia – que é o que estes senhores e senhoras de roupas bonitas fazem, afinal – a saída primeira, prioritária e, para muitos, única, é o diálogo. A guerra é uma estupidez e está banida pelas nações mais sensíveis ao apelo popular em todo o mundo. Este é o mesmo entendimento, como não poderia ficar mais claro, da chancelaria brasileira.
Quais interesses a TV Globo defende?
Ao editar o seu telejornal a partir da fala oficial do governo dos EUA, a TV Globo confirma que busca a opção preferencial pela guerra. É uma conclusão absolutamente razoável, já que a emissora (1) ignora aqueles que defendem o diálogo e (2) manipula aqueles que o mediam.
A pressão só serve, em última instância, aos EUA, que não só deseja que os desentendimentos com o Irã continuem, como também joga um papel desagregador e belicista como forma de manter seu papel no Conselho de Segurança da ONU – único órgão das Nações Unidas que resiste a uma ampla reforma e atualização aos dias atuais – e limitar o poder das nações emergentes e menos desenvolvidas. Com o apoio da TV Globo, ao que parece.
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(*) Herivelto Quaresma é jornalista e blogueiro carioca. Conheça seu blog clicando aqui ou o acompanhe pelo twitter.com/heri_quaresma

8 comentários sobre “Imperialismo: a gente vê por aqui”

  1. Por que a política externa estadunidense
    insistirá numa guerra preventiva contra o Irã, tal qual ocorreu contra o Iraque, sob a calúnia de supostas “armas de destruição em massa”, que Israel posui em larga escala, tendo em vista o petróleo do oriente médio, o fomento à indústria armamentista, a violação da autodeterminação dos povos e genocídios mantendo o mundo unipolar sob uma ditadura
    imperial?
    Saiba aqui: “As raízes norte-americanas do nazismo” –
    http://resistir.info/eua/raizes_nazismo_eua.html
    E aqui, compreenda como a propaganda ideológica estadunidense vem preparando as guerras –
    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16560
    Abraços!

  2. Por que a política externa estadunidense
    insistirá numa guerra preventiva contra o Irã, tal qual ocorreu contra o Iraque, sob a calúnia de supostas “armas de destruição em massa”, que Israel posui em larga escala, tendo em vista o petróleo do oriente médio, o fomento à indústria armamentista, a violação da autodeterminação dos povos e genocídios mantendo o mundo unipolar sob uma ditadura
    imperial?
    Saiba aqui: “As raízes norte-americanas do nazismo” –
    http://resistir.info/eua/raizes_nazismo_eua.html

  3. Qual o interesse do Brasil com material “bético”? quem quer paz, não quer nada com quem quer guerra… nem USA nem Oriente, o Lula deveria tá preucupado com o Brasil, com os milhoes que estão passando fome… com os desempregados… isso sim é urgente e tem que ser resolvido em “paz”..

  4. A imprensa parece mais interessada em negar ao PR LULA o merito dessa iniciativa diplomatica. Ouvi um comentarista na radio cbn dizer que o acordo nao vale nada. ..quando ate a hillary clinton reconheceu o merito da iniciativa ( o problema [e que eles preferem o confronto, como no caso iraquiano). E CRIMINOSA a manipula’cao da entrevista com o SG da ONU, Ban ki -moon.

  5. A globo e as demais tvs abertas (tao podres como a despresível globo), quer destruir nossa sociedade pela corrupção, racismo, xenofobia, desinformação, alienação (entre outros meios). E já estamos vendo os efeitos deste plano macabro no nosso dia-a-dia, em casa, nas escolas, no trabalho, em todo lugar e em todas as classes sociais.
    Essa emissora segue fielmente as diretrizes dos países extrangeiros que nos exploram, principalmente os EUA. Onde agentes os da CIA dao as ordens vindas do Dep. de Estado estadunidense. Claro, pois a globo foi criada por eles e portanto, está à suas ordens …
    Nao posso discutir a novela porque nao a vejo, alias, nao vejo mais as tvs abertas brasileiras. Estou muito satisfeito por me informar e ver TV pela web através do Vermelho, FazendoMedia, Telesul http://www.telesurtv.net, TVCamara e muito mais. E reccomendo esta atitude a tod@s.
    Abs

  6. Na verdade, o acordo trata de menos de 2/3 da produção de urânio do Irã. O resto continuaria sem supervisão, então é quase certo de que a agência nuclear vai rejeitar o acordo, com toda razão. Em última análise, o Brasil está apoiando indiretamente as armas nucleares do Irã, ou seja, está sendo belicista sim. De maneira hipócrita e escondida, mas está. É apenas um jogo político pro Brasil (ganha mais notoriedade) e pro irã (ganha tempo).

  7. A consciência oprimida e colonizada, sempre crê que seu opressor tem alguma razão no que diz. Mesmo quando supõe por meio de calúnia, como foi o caso do Iraque, como sempre foi na Palestina, no Afeganistão, etc. Faz parte da guerra psicológica e preventiva para o controle militar dos territórios e expansão do império que quer um mundo unipolar e, não, multipolar. É uma obsessão facistizante do mundo!
    A paz ; a justiça; e a liberdade no mundo, por incrível que nos possa parecer, precisam do Brasil!
    É muita ingenuidade, e até ignorância de certa mentalidade colonizada, jamais questionar o fato de Israel possuir armas de destruição em massa naquela região, e que os EUA, sendo a maior potência armada tendo atirado duas bombas atômicas no Japão, não perceber que não possuem nenhuma autoridade moral, nem ética, para negociar nenhuma paz neste planeta. Já é tempo de virarmos esta página no Brasil e acordarmos para esta política externa soberana e independente que vem se afirmando frente as Nações.
    Do contrário, permaneceremos vira-latas. Até quando?

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