Homilia do Papa Francisco, na missa de Pentecostes

Dia 04.06.2017

Encerra-se hoje o tempo da Páscoa, cinquenta dias que, desde a Ressurreição de Jesus até Pentecostes, são marcados de modo especial pela presença do Espírito Santo. É Ele,com efeito, o dom pascal por excelência. É o Espírito Santo que realiza sempre coisas novas. Nas leituras de hoje, duas novidades nos são mostradas: na primeira, o Espírito faz descer sobre os discípulos um povo novo; no Evangelho, cria nos discípulos um coração novo.

Um povo novo. No dia de Pentecostes, o Espírito desceu do céu, em forma de línguas de fogo, que se distribuíam e que posaram sobre cada um, e todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas. Assim descreve a Palavra de Deus, a ação do Espírito que, primeiro, posa sobre cada um, depois põe todos a se comunicarem. A cada um dá um dom, e a todos move para a unidade. Em outas palavras, o mesmo Espírito cria a diversidade e a unidade, e deste modo, plasma um povo novo, diversificado e unido: a Igreja universal . Primeiro, com imaginação e imprevisibilidade, cria a diversidade, com efeito, em qualquer época, faz florescer novos e variados carismas; em seguida, o mesmo Espírito realiza a unidade: conecta, reúne, recompõe a harmonia. Com Sua presença e com Sua ação, une espíritos distintos em si e separados. A unidade verdadeira, segundo Deus, é a que não é uniformidade, mas unidade na diversidade. Para fazer isto, que Ele nos ajude a evitar duas tentações recorrentes: a primeira é a de buscarmos a diversidade sem a unidade. Isto sucede, quando queremos separar, quando se faz divisão e se toma partido, quando assumimos posições rígidas, quando nos fechamos em nossos próprios particularismos, pretendendo ser os melhores ou os que têm sempre razão. São os considerados “guardiães da verdade”. Aí, se escolhe a parte, não o todo, pertencer a este ou àquele, mais do à Igreja; tornam-se, então, “torcedores” de uma facção mais do que irmãos e irmãs no mesmo Espírito; cristãos de direita ou de esquerda, mais do que de Jesus; guardiães inflexíveis do passado ou vanguardas do futuro, mais do que filhos humildes e agradecidos da Igreja. Assim é a diversidade sem a unidade. Diferentemente desta, é a tentação oposta, a de buscarmos a unidade sem a diversidade. Mas, deste modo, a unidade se torna uniformidade, a obrigação de fazerem todos juntos e de todos fazerem a mesma coisa, de todos pensarem sempre do mesmo jeito. Assim, a unidade acaba sendo uma homologação, e não há mais liberdade. Mas, diz São Paulo: “Lá onde estiver o Espírito do Senhor, aí reina a Liberdade.”

A nossa oração ao Espírito Santo é, então, de pedirmos a graça de acolhermos a Sua unidade, um olhar que abraça e ama, para além das preferências pessoais, Sua Igreja. Nossa Igreja; assumir a unidade entre todos, acabar com as intrigas, que semeiam a cizânia e a inveja que que envenenam, porque ser homens e mulheres de Igreja significa ser homens e mulheres de comunhão; é também pedir um coração que escute a Igreja, nossa mãe e nossa casa; casa acolhedora e aberta, onde se compartilha a alegria pluriforme do Espírito Santo.

Voltemos, então, à segunda novidade: um coração novo. Jesus Ressuscitado, ao aparecer aos Seus, pela primeira vez, diz: “Recebam o Espírito Santo. Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados, serão perdoados.” Jesus não condena os Seus, que O haviam abandonado e renegado, durante a Paixão, mas lhes dá o Espírito do perdão. O Espírito é o primeiro dom do Ressuscitado, e é dado antes de tudo para perdoar os pecados. Eis o início da Igreja. Eis o adesivo que nos mantém juntos, o cimento que une os tijolos da casa: o perdão, porque o perdão é o dom elevado à enésima potência, e o amor maior, que, apesar de tudo mantém unidos, quem impede de naufragar, que fortalece e solidifica. O perdão liberta o coração e permite recomeçar: o perdão dá esperança, sem o perdão não se edifica a Igreja.

O Espírito do perdão, que tudo resolve na concórdia, ele exorta-nos a recusar outras vias: as colocadas por quem julga, aquelas sem saída de quem fecha toda porta, aquelas de sentido único de quem critica os outras. O espírito, ao contrário, nos exorta a percorrer Uma estrada de Mão Dupla, da misericórdia divina que se faz amor ao próximo, da caridade, < < único critério segundo qual tudo deve ser feito ou não feito, mudado ou não mudado>>. Pensamos a graça de tornar cada vez mais belo o rosto de Nossa Mãe Igreja: Só então poderemos corrigir os outros na caridade.
Peçamos ao Espírito Santo, fogo de amor, que arde na Igreja e dentro de nós, ainda que por vezes a cubramos com a cinza: “Espírito de Deus, Senhor que estás em meu coração e no coração da igreja, Tu que levas adiante a Igreja, plasmando-a na diversidade, vem! Para viver, precisamos de Ti como da água: continua descendo sobre nós e ensina-nos a unidade, renova os nossos corações e ensina-nos a amar como Tu nos amas, a perdoar como Tu nos perdoas. Amém.”

https://www.youtube.com/watch?v=OZ6r3tG80Zg

(Do minuto 0:33 ao minuto 42:45)
Trad.: AJFC

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