Hans Küng e a ousadia de pensar a fé cristã

Por Tiago de França
Faleceu hoje, aos 93 anos de idade, o teólogo suíço Pe. Hans Küng. Formado em Filosofia e em Teologia, foi perito do Concílio Vaticano II e professor de teologia em renomadas universidades católicas da Europa.
Foi um teólogo ousado. Gostava de pensar a fé. Não tinha medo de pensar Deus e as realidades a Ele relacionadas. Era um pensador livre, que sonhava com uma Igreja livre e empenhada na libertação integral do ser humano.
Seus questionamentos tinham sólida fundamentação, porque oriundos de uma mente de larga capacidade. Era um homem dado aos estudos. Sabia muito bem do que falava e se expressa com autoridade. De fato, está entre os grandes da história da teologia católica.
Pe. Hans Küng era um homem de pensamento moderno. Profundo conhecedor da Tradição, combatia o tradicionalismo, o moralismo, o clericalismo e a falta de senso crítico. Era um homem da Igreja, que muito a amava, mas sem deixar de criticar as incoerências dos meios eclesiásticos.
Para o Pe. Hans Küng, a teologia precisa falar às mulheres e homens de hoje. Ele sabia da sede e dos dilemas do ser humano no século XX e início do século XXI. Conhecia a sensibilidade do homem atual. Sua palavra foi acolhida pelas mentes recicladas, e rejeitada pelas fechadas, antiquadas. Sua teologia tocava as feridas e despertava nos mais jovens o forte desejo de construir uma Igreja mais livre, aberta e solidária.
Muito antes do meu ingresso no Seminário e de estudar Teologia, conheci algumas de suas obras. Juntamente com o teólogo belga José Comblin, o considero profeta ousado e arrojado. A sua obra jamais será esquecida. É obra do Espírito Santo, que sopra onde, quando e em quem quer.
Com o Pe. Hans Küng aprendi o valor e o alcance do amor a Deus e à Igreja, povo de Deus em marcha. Aprendi também o valor de continuar estudando bastante. O conhecimento teológico é imprescindível à vida e à missão da Igreja. Em todo tempo e lugar, o Senhor faz surgir pessoas como o Pe. Hans Küng, para apontar o caminho de Jesus e fazer com que a Igreja nunca se esqueça da sua missão. É preciso nunca perder a lucidez.
Bendito seja Deus pelo fecundo testemunho do Pe. Hans Küng!
(06-04-2021)

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