
Habemus aquam!
(Oxítono?)
O meu pai no roçado, uma enxada na mão
Cada cova na terra é promessa de pão
No semblante a esperança abrandando os porquês
E o destino tramando um incerto talvez
Fim do dia, uma barra anoitece o sertão
Muito embora talvez só sonhos choverão
Entra ano, sai ano e depois outra vez
À espera afinal da pura insensatez
Mas secura na terra e o azul desse céu
Já não causam temor do grande ao povaréu
Que palmilham este chão, hoje tão lavradio
A vigília findou, com a chegada do rio
Que jorrou incessante e vergou sua algoz
É a vontade política a banhar-se na foz
O Velho Chico Chegou
Para Teixeira alcançar
Correu rios de quilômetros
E por quinze mil hidrômetros
Sedentos irá passar
Sua grandeza é de mar
Rasgando ao meio o Sertão
A nossa sofreguidão
Catingueira terminou
O Velho Chico chegou
Com as águas da redenção
Perguntas sei que haverão
Por quem ele foi trazido?
Quem teria seduzido
O seu nobre guardião?
Quem estava de plantão
Nesta véspera de Natal?
Mais do que sede real
Que tenha eu ou usted
Quem trouxe o rio tem sede
De justiça social
Martim Assueros
Teixeira, 7/12/2025
Bacharel em Ciências Sociais, ambientalista e poeta.
