Grandes escândalos empresarial-político-governamentais: estamos longe de um balanço de perdas e ganhos

Tal como vocês, muito preferiria ocupar-me de ganhos, conquistas e projetos consistentes para a nossa Gente. Já o fizemos em outras ocasiões, e voltaremos a fazer, outras vezes. No momento, porém, até para que nossas buscas prospectivas tenham consistência, precisamos, sim, enfrentar a gravidade conjuntural/estrutural em que vivemos. Precisamos exercitar nosso olhar crítico sobre os tenebrosos descaminhos que tanto nos têm infelicitado.

Se fizermos um recorte, por exemplo, dos últimos vinte anos, com centenas de escândalos do Governo tucano e dos governos ulteriores, damo-nos conta (ainda que de forma incompleta) do quanto tem sido surrupiada nossa Gente. Uma veia aberta que não cessa de sangrar. Das mais diversas formas: da cultura do desperdício (alimento, água, energia, gastos astronômicos com campanhas eleitorais, gastos vultosos com propaganda com dinheiro público, desvairado consumismo…) à cultura do endividamento irresponsável (seja no âmbito coletivo, seja no âmbito individual)… E o quê dizer do desmantelamento da cultura do trabalho (em parte, propiciado pelas políticas assistencialistas: aos pobres, migalhas orçamentárias; aos ricos a parte substantiva do orçamento)?

Aqui, priorizamos a necessidade de enfrentarmos as perdas e danos, decorrentes apenas dos grandes escândalos empresarial-político-governamentais. Quando será feito um balanço razoável de quanto perdemos com essa sucessão de grandes escândalos, nesses últimos vinte anos? Da “privataria tucana” (Eletrobrás, Vale do Rio Doce e mais o socorro aos banqueiros via PROER – só para mencionar três casos), vindo, em seguida, “Mensalão”, “Petrolão”, HSBC, dívida pública (esta, de longe, o mais grave de todos os escândalos…

Por certo, todos esses escândalos devem ser, todos, esclarecidos, e punidos seus responsáveis. O que me move, contudo, nessas linhas, é sobretudo destacar um aspecto quase nunca considerado, embora de importância incontestável. Refiro-me às perdas e danos correspondentes:
– à montanha de recursos subtraídos das políticas sociais;
– aos múltiplos e vultosos gastos feitos pelos respectivos aparelhos de Estado (Polícia Federal, Ministério Público, Judiciário, Legislativo, etc.), todos mobilizados para investigar e punir os responsáveis. Quem pode calcular o montante de tempo, de recursos, de energia, de atividades não específicas de sua rotina institucional?
– Por conta disso, quantas CPIs/CPMIs foram instaladas, cada uma delas a ocupar seus participantes em atividades que, embora também lhes digam respeito, não deveriam constituir o centro de suas atividades?
– Quem pode calcular as perdas e danos acumulados, durante todo esse tempo, pelo fato de não se ter aproveitado o tempo para repensar o País, para avançar propostas e políticas sócio-ambientais, em políticas de prevenção a tantas crises por que temos passado: de gestão hídrica, energética, por exemplo?

É como se tal sucessão de escândalos, além dos efeitos mais evidentes, tivessem também nosso futuro, não fosse a resistência de nossa Gente…

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