Golpe de 1964: A verdade

O golpe militar de 64 foi o pior retrocesso da história do Brasil. Alega-se que o fantasma do comunismo pairava dentro do país e tinha de ser interrompido, mas tudo era uma falácia. O governo da época (João Goulart), começaria uma reforma em todos os setores da sociedade:  melhor distribuição de renda, reforma agrária e política, dentre outras, que não eram bem vistas por setores de nossas classes dominantes. A Igreja e sua ala conservadora, os políticos, a classe média alta e os militares, já estavam agitando os bastidores com o final que todos já sabemos onde terminou.
De um lado havia os militares e a direita que muito errou, pois não pretendia dar de mão beijada os seus privilégios. A esquerda também errou por não ter chamado o povo para se juntar a ela na luta para mudar o país. Queriam falar por NÓS sem nos ouvir. A esquerda era formada por intelectuais, artistas, estudantes e sindicalistas, dentre outros setores. Mas, cadê o povo nessa história? Como não houve participação popular, infelizmente o golpe foi bem sucedido e deu no que deu. É triste quando um segmento da sociedade não caminha junto com o povo e se faz de surdo por ouvir nossas vozes.
O ex-presidente Lula estranhamente sequer tomou a iniciativa de formar uma comissão para apurar as atrocidades do regime militar. Logo Lula, que foi vítima desse regime tão sangrento e corrupto da história do Brasil republicano.
Mesmo em passos lentos, o atual governo parece finalmente ter tomado coragem. Criou uma comissão para passar de vez o Brasil a limpo, e ver o que realmente aconteceu com todas as pessoas desaparecidas durante a ditadura e seus aliados. Sim, é bom lembrarmos  que setores empresariais deram suporte financeiro ao regime repressor por muito tempo.
Não se trata de revanchismo, como vem tratando alguns militares. A comissão foi criada para apurar e não perseguir ninguém, o Estado nos deve uma explicação que é um direito nosso. Nossos vizinhos argentinos e uruguaios vêm fazendo esse trabalho com sucesso, dando uma satisfação ao povo. Do outro lado do Atlântico, África do Sul, segue o mesmo caminho apurando as brutalidades do regime racista –nazista, o apartheid, daquele governo.
Cabe a nós sermos mais atuantes para finalmente passar a limpo o nosso passado. Vamos participar mais nesse debate. Devemos parar de dizer que tudo é passado, e nada vale apena conhecer do passado de nosso país. Vamos pedir justiça! Vamos saber da verdade!!
(*) Fabio Nogueira é coordenador de pré-vestibular comunitário e militante da Educafro. E-mail: fabionogueira95@yahoo.com.br

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