Hoje voltara pela primeira vez, à casa da Cidade Verde. Já lá não estavas. Tinhas partido horas antes, ontem. Essa casa fora um dos portos da minha volta para mim mesmo, e não dos menos importantes. Não sei já quando fora a primeira vez que me internara no seu mundo de árvores de acerola daonde Dona Marieta generosamente colhia frutos que me dava. Os almoços, os cafés partilhados, os almoços e jantares, tanta generosidade.
E as imagens da primeira comunhão de Josélia, o santo Jesus e os anjos. São Francisco, a quem amavas. Teus quadros e molduras, que colhias pelas ruas do bairro a reparar e partilhar com os que amavas. As tuas idas a missa ou ao centro da cidade, à padaria, daonde sempre retornavas com algum episodio a compartir. Tua oficina nos fundos da casa. As telhas do vizinho. As galinhas no pátio, tudo me lembrava das casas das minhas avós, das minhas casas primeiras na vida. A casa natal.
Hoje voltei e já não estavas. Mas não seriam estas as letras de quem lamentara a tua ausência, porque deixaste cheia a minha algibeira afetiva, como as dos teus filhos e filhas, noras e genros, parentes e pessoas que contigo conviveram. Se algo possa ainda te dizer, que não tenha já dito, que seja o que apenas o silêncio possa expressar, nesta primeira tarde que se faz noite, na cidade que vê o chegar do brilho das estrelas, onde certamente hás de estar, ou ser uma delas.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
