Expectativas em torno do Sínodo sobre a Família

christComo é sabido, hoje começou em Roma – e vai estender-se até o dia 19/10 – o Sínodo dos Bispos sobre a família, tema enormemente complexo, seja no âmbito da sociedade, seja ao interno das igrejas, inclusive da Igreja Católica.
Graças às crescentes pressões do mundo leigo – em especial das mulheres – bem como à sensibilidade do Papa Francisco, o Sínodo que se inicia apresenta aspectosl distintos dos anteriores, o que não quer dizer que ainda não tenha sérios problemas, como veremos adiante.
Embora tratando-se de um Sínodo dos Bispos, graças à intervenção do Papa Francisco, contou com uma preparação razoável, especialmente no que se refere ao amplo questionário de consulta ao conjunto de católicos, enviado pela Equipe organizadora, que obteve as mais distintas respostas e sugestões. Ou seja: não se parte do nada ou exclusivamente da iniciativa dos hierarcas da Cúria Romana.
Quanto aos problemas, não são poucos os que se apresentam. Um deles tem a ver com a composição e a representatividade dos participantes do Sínodo. Uma participação simbólica de leigos, sobretudo com relação às mulheres. No universo de cerca de 197 bispos, além de peritos e convidados, apenas um pequeno percentual de leigos e leigas, o que implica sérias consequências. Em se tratando de um Sínodo sobre a Família, quem sobretudo vai discuti-lo e sobre ele deiberar, são pessoas com experiências reconhecidas, ou são, antes e sobretudo, celibatários?
Sem experiência da vida familiar e seu complexo contexto atual, tal perfil dominante de participantes será capaz de reconhecer a complexa diversidade de situações concretas de família, no mundo, ou tenderá, antes, a reconhecer o modelo tradicional de família como o único legítimo?
Como se portarão os participantes, em sua grande maioria, com relação ao crescente número de católicos e católicas divorciados, e que aspiram a refazer sua vida conjugal?
Como se comportarão frente à clamorosa proibição do uso de anticoncepcionais, ainda quando se sabe que, já há muito tempo, o “sensus fidelium” passa ao largo de tal proiblição?
E quanto às questões atinentes à homossexualiade, ao interno da Igreja?
Como vão se defender das crescentes cobranças de extinção do celibato obrigatório, situação que contribui gravemente para situações graves em que parte do clero se vê metida?
São muitas as perguntas ligadas às expectativas alimentadas por muitos grupos de católicos comprometidos com a reforma da Igreja.
A quem interessa possa, seguem algumas sugestões de comunicados de imprensa, da parte de alguns desses grupos.
1. Convite para a conferência de imprensa, enviado pelo Movimento Internacional We are Church:
www.wir-sind-kirche.de/files/2218_Invitation_20141004_6doc.pdf
2. Comunicado de Imprensa de Noi Siamo Chiesa (Itália):
http://www.noisiamochiesa.org/?p=3576
3. Intervenção do Secretário Geral do Sínodo:
http://www.romaonline.org/news/ultim-ora/briefing-sulla-iii-assemblea-generale-straordinaria-del-sinodo-dei-vescovi-5-19-ottobre-2014.html

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