Estudantes de comunicação da UFS ocupam reitoria no Sergipe

Há mais de uma semana, os estudantes de comunicação social da Universidade Federal de Sergipe (UFS) ocupam o gabinete da reitoria da instituição no campi de São Cristóvão. Acampados desde o dia 30, eles reivindicam melhorias estruturais e pedagógicas nos cursos da área que passam por um longo processo de precarização e falta de investimento.
Segundo manifesto dos estudantes, desde a implementação do programa de Expansão e Reestruturação das Universidades Públicas (REUNI), em 2008 pelo Governo Federal, ampliou-se o acesso e o número de vagas, porém não há garantia de permanência estudantil. Além disso, os estudantes passam por problemas como falta de laboratórios e carência de professores.
O estudante da UFS e militante da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOS), Vinicius Oliveira, afirma que a ocupação é “um fato histórico e importante na UFS”, pois o gabinete nunca havia sido ocupado. “Esta mobilização representa, para o movimento da educação, uma resposta à conjuntura colocada pela reforma universitária em nossa universidade”, destaca.
O movimento de ocupação, nomeado pelos estudantes de “Chega de Migalhas”, segue negociando com a administração da reitoria com mediação do Ministério Público Federal (MPF). O MPF foi acionado pelos próprios estudantes, com receio de que as reivindicações estagnassem pela burocracia institucional da UFS, como já vinha acontecendo.
Além das reivindicações de estrutura como laboratórios e equipamentos, os estudantes pedem espaço físico estudantil para o Diretório Acadêmico de Comunicação Social (DACS). O antigo espaço foi cedido pelos estudantes para a construção de um Laboratório de Pintura que seria destinado ao curso de Artes. Hoje, o espaço serve como almoxarifado e está inoperante para qualquer uso coletivo pelos estudantes.
Outra reivindicação é a mudança do funcionamento da Rádio UFS Rádio UFS. Atualmente, a rádio é assessoria de comunicação da reitoria e não cumpre papel laboratorial, segundo Vinícius. Os estudantes solicitam a construção de um seminário deliberativo, consultivo e estatutário sobre a Rádio com participação tripartite de estudantes, entidades de Comunicação Social da sociedade civil e da administração da universidade. Além disso, pedem que a rádio seja utilizada para fins laboratoriais e experimentais para os estudantes.
Durante a ocupação, os estudantes estão realizando diversas atividades como debates e oficinas sobre educação, política e cultura. Por lá, já passaram diversos professores e o cineasta argentino Carlos Pronzato, que exibiu seu filme a Revolta dos Pinguins sobre uma mobilização de secundaristas chilenos.
>> Conheça o blog da ocupação Chega de Migalhas
>> Veja vídeo dos estudantes sobre a Rádio UFS:

(*) Matéria publicada originalmente na página da Caros Amigos.

Deixe uma resposta