Quando o escrever incomoda? Quando o que escrevo incomoda? Não tenho tentado, ao escrever, atacar ninguém, nem agredir alguma ideologia ou modo de ser ou de pensar. Nem mesmo quando me refiro ao capitalismo como um sistema perverso ou negativo, o faço desde um ponto de vista da luta pela destruição deste sistema daninho.
Quando critico o capitalismo ou algum comportamento, não o faço com a finalidade de destruir alguma coisa. Não nego, no entanto, que sonho com ver um dia chegar em que não existam mais fronteiras, controles migratórios, exércitos, violência, guerra.
Mas o que quero dizer, o tom geral desta conversa, é que eu escrevo sempre com uma intenção construtiva. Mesmo quando tenho escrito algo em contra de certas formas de pensar ou de agir, ou de alguma instituição, não o faço com uma intenção destrutiva e, sim, por estar empenhado, pessoal e coletivamente, na construção de formas de ser, pensar, sentir e agir baseadas no amor, no mais profundo respeito pela vida.
Tudo isto é para dizer que estou tentando passar a limpo este meu oficio de escrever. De tanto escrever, em algum momento a pessoa chega a uma espécie de território indefinível, em que a realidade que escreve e a que vive, estão fundidas, são uma só. Este processo em que me encontro, este instante original, são algo de muito precioso.
É como uma reversão do tempo. É como se o seu passado e o seu presente, a sua vida toda, tivessem voltado a ser o que são, o que foram. Tempo unificado. É claro que isto não teria ocorrido, a não ser a través de um diálogo construtivo e criativo com pessoas que me foram lendo, e, que ao me lerem, foram me dando a oportunidade de que eu mesmo fosse me lendo de maneira nova.
Assim fui renascendo, fui voltando, como sigo voltando, a ser quem eu sou. Neste diálogo construtivo em que fui e continuo sendo cada vez mais o ser que sou, tiveram e tem um papel fundamental, algumas pessoas. Várias delas, muitas delas, terapeutas comunitários, ou pessoas ligadas a esta área de atuação.
Outras, alguns amigos e pessoas da família, que foram vendo que o que vinha, que o que estava vindo, era eu mesmo. Este que agora escreve estas coisas, e que era cada vez mais, outra coisa, não uma coisa adulterada, falseada, falsificada, e sim algo genuíno, algo novo, algo verdadeiro. Por isto, e já vou chegando ao fim destas linhas, digo que escrevo para me ter de volta. Escrevo para ser cada vez mais a pessoa que sou.
Devo agradecer e agradeço a todas essas pessoas que me foram ajudando a voltar. Algumas já não se encontram mais no plano físico da existência, mas estão comigo nesta caminhada. A todas e a todos, obrigado. Escrevo para ser, e escrevo para que, em eu sendo cada vez mais quem sou, outros e outras sejam cada vez mais, eles mesmos, elas mesmas.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/

Bom dia Rolando
Muito me enaltece o privilégio de ter acesso aos seus escritos belos e ricos em conteúdo. Na minha caminhada de Terapeuta Cumunitária e na minha jornada do dia-a-dia, muito me fêz refletir.É como você bem diz:” Assim fui renascendo, fui voltando, como sigo voltando, a ser quem eu sou”.Muito obrigada. Um grande abraço. Rosalice
Parabéns profundas as palavras..
Adoro escrever, pois revivo e relembro o que foi sentido… E quando as emoções são agradáveis ao coração e a alma… melhor ainda…
Devemos cultivar bastante este hábito, já que são os registros de nossos passos pela vida… Não só nossa mais de outros também!!!! Beijo grande professor
Gracias Rolando por tu reflexiones desde que te encontre nuevamente te acompaño leyendote ¡ adelante! quisiera que me informes sobre capacitaciones en terapia comunitaria un abrazo
Rolando,
É sempre um prazer para mim, ler os seus escritos. Este também, me remete a mim mesma e o repensar nesse início de um novo período.
Obrigada, e continue nesse belo e profícuo exercício.
Como T. Comunitária, gosto de anotar sobre os acontecimentos para repensá-los e quem sabe, atuar de forma mais eficaz.
Bom trabalho!
Da baiana, de Salvador, Josephina.
Caro Rolando
Como sempre, suas palavras me levam a reflexões. Obrigada.
Continue nos brindando com textos profundos que ajudam a todos que com você partilham. Abs Magdala