Em BH, Ocupação João de Barro é ameaçada

Pela segunda vez em menos de 3 meses, as famílias da Ocupação João de Barro II, em Belo Horizonte, estão ameaçadas de irem novamente para a rua. Na segunda (7), logo após o fim do recesso no judiciário, a juíza da 5ª Vara Cível concedeu medida liminar determinando o despejo forçado das famílias mediante uso de força policial.

“O poder público trata o problema da moradia como se fosse um crime. Nós, legitimamente, ocupamos os imóveis ociosos para exercer um direito que nos foi negado toda a vida. Também ocupamos para denunciar a situação da grande massa trabalhadora que não tem condições de adquirir uma casa e precisa viver de favor ou em áreas de risco. A nossa mensagem é por fazer valer a vida humana, que deve ser muito mais valorizada do que o dinheiro e a especulação imobiliária”, diz o grupo “Brigadas Populares”.

No sábado, dia 12 de janeiro, haverá uma reunião emergencial dos apoiadores. Será às 15h, na Ocupação João de Barro II, localizada no Antigo Hospital Cardiocentro, na trincheira da Av. Antônio Carlos, em frente ao Sírio Libanês. Informações pelo telefone (31) 8812-0110 ou (31) 8652-4783 e pelo email brigadapopular@yahoo.com.br

“Convocamos para se somar conosco os movimentos sociais, sindicatos, grupos libertários e religiosos, estudantes, enfim, todos(as) aqueles(as) comprometidos(as) com a luta por uma cidade que cumpra sua função social, uma cidade da maioria e pela maioria”, completam.

Foi enviada nesta quarta (9) a autoridades locais, regionais e nacionais uma Carta de Repúdio ao despejo forçado das famílias (leia abaixo), sem que seja oferecida nenhuma alternativa pelos verdadeiros responsáveis por esta situação indigna.

CARTA DE REPÚDIO AO DESPEJO FORÇADO DA OCUPAÇÃO JOÃO DE BARRO II

Ao Sr. ________________________

Manifestamos nossa profunda preocupação com a situação das famílias organizadas na Ocupação JOÃO DE BARRO II, localizada no antigo Hospital Cardiocentro, na Av. Antônio Carlos, Belo Horizonte – MG. São famílias sem-teto que, em busca de dignidade, ocuparam um imóvel que não cumpria sua função social exigindo sua desapropriação, mediante indenização, para fins de moradia popular.

Trata-se de um imóvel que estava abandonado há vários anos, servindo de instrumento para a especulação imobiliária, além de ter sido cenário de crimes graves, a exemplo do assassinato de uma jovem ocorrido antes do prédio se tornar o novo lar das famílias sem-teto.

Cumpre esclarecer que não é a primeira vez que essas famílias estão ameaçadas de sofrerem o despejo sem ao menos serem ouvidas pelas autoridades públicas responsáveis por esta situação. No ano passado, após 6 meses ocupando um prédio de 15 andares no Bairro Serra (Ocupação João de Barro I), os ocupantes mobilizados, incluindo dezenas de crianças, idosos e deficientes físicos e mentais, foram lançados a sorte, não lhes restando outra opção a não ser ocupar novamente outro imóvel ocioso, apto a oferecer uma morada digna.

Diante do exposto manifestamos nosso repúdio à possibilidade do despejo forçado da Ocupação João de Barro II sem que seja oferecida uma alternativa viável para as famílias que ali vivem. Acreditamos ser uma ofensa frontal aos mandamentos constitucionais e aos Direitos Humanos o descaso das autoridades em relação ao destino das famílias sem-teto.

Neste sentido exigimos:

1-Imediata desapropriação do prédio para fins de moradia popular;
2-Audiência Pública com todas as partes interessadas, autoridades competentes e entidades de defesa dos direitos humanos, no sentido de discutir e construir uma solução pacífica para o conflito;
3-Garantia de respeito à integridade física, psíquica e moral de todos(as) posseiros(as) da Ocupação João de Barro II.

Contamos com a colaboração desta instituição e aguardamos resposta favorável.

____, Janeiro de 2008

Nome da entidade ou assinatura do representante.

Deixe uma resposta