As atenções do mundo estarão concentradas nos EUA. Neste ano haverá eleições para presidência da república. Deu-se início com as primárias republicanas, cujos candidatos tentarão voltar a ocupar a Casa Branca. O atual presidente Barack Obama, por sua vez, tentará se reeleger pelos democratas. Desta vez Obama pode dizer para que veio.
Independente de ser reeleito ou não, Barack Obama já deixou sua história no cenário político americano. Um negro eleito num país declaradamente racista, onde as pessoas não têm nenhum constrangimento de declarar o que são (seja negro,branco ou latino). Somente resta mostrar pulso para tirar o país de uma profunda crise econômica, social e moral. Tudo bem que não foi ele quem contraiu a dívida, porém não apresentou nenhuma alternativa para tirar o país da lama. Pelo contrário, salvou os bancos da bancarrota, prática essa só imaginável para uma economia de mercado. O Estado praticou o mercantilismo. Isso é uma vergonha.
Os republicanos começaram as suas primárias, querendo apagar da memória do eleitor a imagem de George W. Bush. Os outros pré-candidatos já começaram a corrida. As caras são novas, mas os discursos continuam os mesmos. Os republicanos são famosos pelos discursos em favor da família e religião. São contra o aborto, as pesquisas com células tronco e a união de pessoas do mesmo sexo.
Podemos destacar três desses típicos candidatos:
1) Mitt Romney: Empresário, nascido em Detroit, considerado um moderado, algo que incomoda os conservadores de seu partido.
2) Rick Santorum: Filho de imigrantes italianos e um exemplo classudo de conservador.
3) Rick Perry: Ex-governador do Texas, defensor da ausência total do Estado .
O quê tem em comum esses três candidatos? A religião. O uso da religião como referência é tradicional dos dois partidos, e os republicanos sabem como trabalhar esse tema.
O tema religião na política chega a ser um assunto muito delicado em época de eleições, principalmente nos países latinoamericanos. É bom lembrarmos da última eleição para presidente no Brasil. Várias denominações cristãs retiraram o apoio à candidata do governo, por causa do tema aborto. Com isso, foi-se obrigado a ter um segundo turno.
Por enquanto, o jogo está iniciando. Até novembro muita lama vai ser jogada,vão surgir denúncias e mentiras, afinal de contas sem escândalos a política torna-se monótona. Obama terá de jogar todas as cartas para reconquistar a opinião pública e mostrar o por que veio. Seja quem for, o candidato republicano argumentará que o atual presidente foi omisso em tomar uma decisão mais enérgica contra o Irã e a Coréia do Norte. O mesmo partido republicano tem de apagar a imagem negativa de seu último presidente, incompetente e hipócrita, dizendo que em nome de Deus começou uma guerra sob a justificativa da segurança de seu país. Torturou, matou, desobedeceu normas internacionais e deixou o país mergulhado numa crise sem precedentes.
Enfim, deixe novembro chegar.
(*) Fabio Nogueira é Coordenador de pré-vestibular comunitário e militante da Educafro. E-mail: fabionogueira95@yahoo.com.br
