Eis-nos, uma vez mais, diante de uma ocorrência desastrosa. Uma nova pilha de cacos de vidro

Por Christian Weisner

TRADUÇÃO DO RESUMO DO ARTIGO ESCRITO PARA O JORNAL MENSAL “KIRCHE IN” (AUSTRÍACO), A SER PUBLICADO EM FEVEREIRO DE 2013.

Em 28 de janeiro de 2010, o padre jesuíta Klaus Mertes, então à frente do Canisius College de Berlim, descobriu o sistemático esquema de ocultação e de acobertamento de violência sexual na igreja, durante várias décadas. Em consequência, a Igreja Católica na Alemanha teve que passar por um “annus horribilis”. Após o estado de choque, os bispos se dispuseram, de bom grado, a reconciliar-se com o passado, e prometeram tudo melhorar no futuro. Algumas medidas foram tomadas. Mas, três anos depois, no início de janeiro de 2013, os bispos alemães puseram fim a um projeto de pesquisa amplamente acordado com o respeitado professor de criminologia, Christian Pfeiffer. Isto representa um golpe devastador para a credibilidade da liderança da Igreja.

Será que os bispos não estão querendo permitir uma investigação científica verdadeiramente independente? Eles agora contam com um outro estudo que Norbert Leygraf, professor de patologia forense, tem feito para eles. O resultado deste estudo: apenas 5% dos autores de violência sexual são realmente pedófilos (mas isto não faz qualquer diferença para as vítimas!). E quase todos os autores deveriam continuar no trabalho pastoral (em forte contraste com a política de tolerância zero, pedida pelo Papa Bento XVI!). Uma lacuna deste estudo: somente os arquivos relativos a 78 autores de violência sexual, escolhidos pelos bispos, foram avaliados.

O Cardeal Reinhard Marx, de Munique, que em 2010 havia se destacado como um investigador bastante decidido, agora já não tem qualquer resposta para a pergunta: por que será que sua diocese foi a primeira que tentou parar a investigação de Pfeiffer? Em 2010, o advogado Dr. Marion Westfahl fez uma pesquisa nos arquivos da Arquidiocese de de Munique – da qual o Papa Bento XVI foi arcebispo de 1977 a 1981 – que trouxe à luz resultados chocantes, mesmo tratando-se de um resumo. Só o Cardeal Marx e seu Vigário Geral é que têm acesso ao relatório sigiloso. Quando agora eles clamam pela proteção da privacidade dos dados para os autores e para as vítimas, o fazem provavelmente para proteger, em primeiro lugar, a reputação dos bispos e da liderança da igreja. A pesquisa de Pfeiffer teria sido capaz de tornar conhecida sua ação ou omissão nos anos e décadas passadas.

Em janeiro de 2012, o Bispo Dr. Ackermann, porta-voz, desde 2010, da Conferência dos Bispos da Alemanha, para assuntos relativos a abusos, teve que admitir graves maus feitos em sua própria diocese. Como é que ele, um dos bispos mais jovens da Alemanha, pode entrar em conflitos com os bispos que persistem na Conferência dos Bispos?

Há crescentes sinais de que medidas emergenciais que foram introduzidas durante o “annus horriblis” de 2010 estejam de novo sendo retraídas. Por exemplo, o “processo de diálogo” prometido pelos bispos alemães, no auge da crise dos abusos sexuais, foi rapidamente rebaixado a um “processo de conversações” longo e não-vinculante, controlado pelos bispos. No “Ano da Fé” a liderança da igreja perde cada vez mais sua credibilidade.

Christian Weisner / We are Church Germany

http://www.wir-sind-kirche.de
Original version: http://www.wir-sind-kirche.de/?id=129&id_entry=4404
Translated from German into English by Christian Weisner

(Trad. desde a versão inglesa: Alder Júlio F. Calado)

Deixe uma resposta