Educafro: curso de pré vestibular comunitário na baixada fluminense

O movimento social Educafro experimentou o doce amargo de quase fechar as suas portas e encerrar para si  um legado de luta, suor, sangue e conquistas. Graças a este projeto vários jovens carentes dos morros e periferia cariocas conseguiram entrar para as universidades públicas, através das ações afirmativas, Prouni e bolsas de estudos, abrindo espaço para um debate um tanto esquecido ou mesmo tabu: o racismo.
Vaidade, poder e o não retorno de ex-alunos foram os fatores que quase acabaram com o trabalho de décadas. A iniciativa começou na Baixada Fluminense, precisamente em São João de Meriti, com a mobilização do padre franciscano Raimundo David e outros pioneiros, quando abriram o primeiro núcleo de pré-vestibular comunitário no Estado do Rio de Janeiro. A Educafro nasce com um projeto político-pedagógico e, principalmente, a inclusão de negros dentro das nossas universidades públicas, questionando o porquê delas serem tão elitizadas. A Educafro foi o primeiro movimento social a abraçar a causa das cotas raciais e a levar o debate adiante.
A grade curricular da  Educafro não é diferente das demais, tem somente um diferencial: tornar o aluno um ator social dentro da sua comunidade e proporcionar uma visão crítica desse modelo de exclusão que o Estado brasileiro nos oferece. Ela também propõe uma reflexão crítica em busca de  alternativas futuras para uma universidade diversificada e mais plural para todos.
Atualmente a sede da Educafro está funcionando graças ao corpo de militantes que acreditam no projeto e não querem deixar essa realidade acabar, já que a iniciativa beneficia muitos jovens. Nesse sentido, seguimos com a responsabilidade de continuar um trabalho tão sedutor e às vezes cruel também, mas vale a pena. Essa é a história da Educafro, gostem ou não continuaremos com o nosso sacrifício.
(*) Fábio Alves Nogueira é coordenador do curso de pré vestibular comunitário Educafro.

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