
Pra quem gosta de golpe de Estado, imagino que goste também de tortura, pau de arara e censura à imprensa. É o pacote de regime autoritário.
Como eu não gosto, e muito menos acredito em “restituição da democracia” derrubando governo eleito, eu vou avisando: TÔ FORA. Como diria o poeta: ME INCLUI FORA DESSA.
Eu luto por um país melhor na legalidade, e muitos companheiros de luta se foram desse mundo torturados, estupradas e vítimas de outras atrocidades após um regime autoritário “moralmente melhor” derrubar um governo da legalidade. Eu tenho memória e não me esqueço. Hoje tantos outros morrem nas favelas devido ao aparato repressor que sobrou desse período, 99% administrados por governadores!
Assim se declaravam os torturadores nos jornais de então: apartidários, moralizadores da coisa pública, amantes da paz e da democracia. Não existe ditador bonzinho.
Não estamos em 1964: estamos em 2014. E aqui, mais uma vez, aqueles que roubam, tiram direitos e jogam a polícia contra o povo estão querendo um novo e patético golpe.
Lutar pelo seu país não significa voltar ao tempo das cavernas sociológicas. É frágil a democracia que temos, mas é nossa!
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
