Por Alexandre Bazzan,
O livro “Cuba sem bloqueio” de Hideyo Saito e Antonio Gabriel Haddad faz um trocadilho entre o embargo sofrido pela ilha e a distorção e ocultação de informações pela grande imprensa. “Eu queria ver com meus próprios olhos, tinha alguma coisa errada com o que eu recebia no noticiário”, diz Haddad.
Hideyo, que morou em Cuba nos anos 1980 por dois anos e vivenciou a luta pela construção do socialismo, diz que “a decisão cubana (de permanecer socialista) foi mostrada pela mídia dominante como imposição delirante de Fidel, embora tenha sido adotada após consultas populares em assembleias que mobilizaram todo o país e que ficaram conhecidas como ‘parlamentos obreros’. O livro mostra como foi esse processo e qual é a realidade hoje, apresentando informações desconhecidas da grande maioria dos brasileiros.”
Obra
A ideia do livro surgiu em 2006, quando os autores estiveram em Cuba para comemorar, ao lado de duas mil pessoas de várias partes do mundo, os 80 anos de Fidel Castro. Os amigos, que haviam se conhecido em 2002 trabalhando no funcionalismo público, fizeram uma pesquisa que durou 3 anos e envolveu entrevistas, viagens à ilha e consulta a arquivos históricos.
Os autores deixam claro que não acham Cuba o paraíso na Terra, mostrando inclusive algumas críticas dos próprios cubanos ao regime – o resultado final traz várias informações inéditas no Brasil. Entretanto, eles usam as palavras de Nelson Mandela para mostrar um pouco qual tem sido o papel da ilha na história: “Os cubanos vieram à África como médicos, professores, agrônomos, soldados, mas nunca como colonizadores. Dividiram conosco as trincheiras na luta contra o subdesenvolvimento, o racismo e o colonialismo. Jamais iremos esquecer seu exemplo de internacionalismo, sem paralelo na história.”
Trecho
“No período de 1990 a 1993, o PIB teve queda de 40% e o produto per capita, de 43,1%. A ociosidade da indústria cubana superou 80% em 1993 e a contração do comércio exterior foi da ordem de 70%. A capacidade cubana de importação despencou de US$ 8,1 bilhões, em 1989, para US$ 2,3 bilhões em 1992. A demanda interna de petróleo, que oscilou entre 13,8 milhões e 14,2 milhões de toneladas na segunda metade da década de 1980, teve de se contrair para apenas 6,6 milhões em 1993, conforme números da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).
Além disso, a URSS fornecia 60% dos alimentos e 80% das máquinas e equipamentos; comprava 63% do açúcar (a preços favorecidos), 95% dos cítricos e 73% do níquel. A expansão do déficit fiscal ultrapassou 150% e a taxa de câmbio informal saltou de sete para 150 pesos por dólar estadunidense em poucos meses. Houve ainda explosão da liquidez monetária: em 1991 o circulante sem respaldo em produtos foi superior a 6,1 bilhões de pesos. A produtividade média do trabalho desacelerou em mais de 39%.
Foi uma época em que as cidades ficavam sem luz até 16 horas por dia. Dentre as piores lembranças da crise, sempre repetidas pelos cubanos, estão as relacionadas com o insuportável calor dos verões, que não podia ser amenizado por ar-condicionado ou mesmo por ventilador. A partir do início de 1992, a programação das emissoras de TV foi reduzida a algumas poucas horas no período noturno e a maioria dos espetáculos públicos, suspensa. O Granma foi o único jornal a continuar com periodicidade diária, mas o número de páginas (que mudou para tablóide, de tamanho menor) teve de ser reduzido de 16 para oito, e a tiragem, de 700 mil para 400 mil exemplares.”
O trecho do livro acima mostra a grande dificuldade enfrentada pelos cubanos após a queda do socialismo soviético. A falta de comércio exterior e o arrocho do embargo estadunidense foram tão severos que Fidel disse que “a desintegração da União Soviética foi para nós como se o Sol deixasse de sair; a Revolução Cubana recebeu um golpe demolidor”.
Gabriel Haddad disse que quando foi pela primeira vez para Cuba ainda existiam vestígios das dificuldades. O transporte público entrou em colapso e caminhões antigos apelidados de ‘camelos’ eram usados para transportar as pessoas – “Quando eu fui ainda tinha camelo na rua”, diz o autor. Outra característica clara da crise, conta ele, eram as constantes quedas de energia e que hoje já foram superadas.
Para responder às várias críticas a Castro, os autores recorrem a Gabriel García Marquez que diz que “Fidel criou uma política de potência mundial, em uma ilha 84 vezes menor que seu inimigo principal. Fidel tem a convicção de que a maior conquista do ser humano é a boa formação de sua consciência e que os estímulos morais, mais que os materiais, são capazes de mudar o mundo e empurrar a história”.
Efervescência Atual
Os autores escrevem também: “A efervescência atual aponta para perspectivas de superação até de aspectos políticos
e sociais que são tradicionalmente alvos de crítica contra a Revolução Cubana. Um exemplo é o tratamento dado à questão da homossexualidade, como a autorização para a realização, na rede hospitalar do país, de cirurgias de mudança de sexo, oficializada em 2008.
Há ainda o projeto de lei sobre união homossexual, que tramitava na Assembleia Nacional em 2009. Ambas as iniciativas partiram do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex), dirigido pela socióloga Mariela Castro. Exemplo similar está na proposta de eliminação da exigência, a cidadãos cubanos, de autorização para entrar e sair do país, atualmente em estudo”.
Este outro trecho do livro mostra um pouco dos últimos avanços conseguidos e do espírito reinante atualmente na ilha. “Mais significativo que isso são as pesquisas de opinião pública realizadas em Cuba pelo Gallup estadunidense. Nós mostramos e comentamos resultados dessas pesquisas. De forma geral, elas revelam que a grande maioria do povo cubano apoia o governo e o socialismo, e que tem orgulho de seus programas sociais”, diz Hideyo.
Troca de Comando
Outra crítica errônea feita ao sistema cubano é a de que o poder passou para as mãos do irmão de Fidel. Gabriel explica que “o governo foi passado para o primeiro vice-presidente constitucional que é Raul Castro, e não houve troca de governo entre irmãos”, exatamente por esse motivo os rumos do país continuam sendo encaminhados da mesma forma que eram anteriormente e algumas das mudanças efetuadas já vinham sendo colocadas em pautas nas reuniões que foram adiadas exatamente pela fragilidade da saúde de Fidel.
Encarte
A partir de dezembro, a Caros Amigos publica um especial de quatro edições encartadas na revista que faz um panorama histórico e vai mostrar a situação atual de Cuba, sobretudo as consequencias do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos.
Serviço
O livro “Cuba sem bloqueio” tem 448 páginas, custa R$ 45 e pode ser adquirido pelo site http://www.radicallivros.com.br.
(*) Matéria reproduzida da página da Caros Amigos.

O que eu acho curioso (além do próprio fato de ainda defenderem o modelo cubano nos dias de hoje) é a incongruência do argumento de que o embargo econômico americano a Cuba seria o responsável pela miséria daquele povo. Os socialistas têm como principal inimigo os americanos, ou os “estadunidenses”, como sugeri o título do artigo, isso por conta da ameaça imperialista de dominação e exploração dos povos mediante imposição do capitalismo e consumismo. Mas, por outro lado, muitos consideram que a crise cubana se deve ao tal embargo americano. Fica a dúvida, então: ser “explorado” pelos EUA não é tão mal assim?
Além do que um relevante dado estatístico é constantemente ignorado. Em 1959 apenas 5% do PIB cubano eram de negócios feitos com os EUA, de modo que, atribuir ao embargo qualquer mérito pela crise é não enxergar a verdade.
O sujeito que já esteve em Cuba a convite de Fidel, não conhece aquele país. Andou de Mercedes e teve todo o luxo necessário. Como turista, onde, em regra, não lhe é permitido conhecer a verdadeira Cuba, em algumas situações é possível presenciar um pouco da realidade: por exemplo, crianças pedindo que hospedes de hotéis lhe deem os sabonetes de cortesia que recebem.
A sempre muito defendida bandeira da plena educação do povo cubano é um argumento muito falho. Ok, 99% sabe ler e escrever, mas terminada as aulas e o culto às maravilhas do sistema socialistas, muito deles preferem se aventurar em arriscadas empreitadas marítimas para fugir da realidade.
Sem contar a questão moral. Fidel e seu comparsa Che são dois assassinos. Mais pessoas morreram nas mãos deles do que no Holocausto.
André,quem escolheu o destino de Cuba,foi a população. Ninguém tem o direito de querer tomar o rumo deles. O por que o tratamento é diferente dos Estados Unidos refenrente a China e outras ditaturas? Mesmo sob fogo o povo cubano consegue viver melhor que nós brasileiros.
Matar por matar quem foi mais tirou vidas humanas durante todo o seculo xx e xxl? Defendo governo cubano sim e sua gente .
!!VIVA CUBA!!
“Mais pessoas morreram na deles do que no Holocausto”
Está de piada ou mal-informado.
Você está certo quanto ao holocausto, eu queria fazer uma comparação de que muitas pessoas tbm morreram em um Cuba, mas com certeza morreram mais judeus.
Supor que a vida em Cuba é boa, me desculpe a sinceridade, é ignorância (no sentido de desconhecer do tema). Sua visão é extremamente romântica, adorar as maravilhas do socialismo a distância e negar o capitalismo. Não te conheço, mas faça uma reflexão sobre a sua vida e se imagine vivendo em Cuba. Você trocaria? Não gosta de nenhum bem material, da liberdade de expressão, de ganhar dinheiro?
Quanto ao embargo, prevalece o mesmo argumento. Se os EUA são o grande inimigo de Cuba porque cobrar deles?
O povo não escolheu aquilo, eles não têm liberdade para escolher absolutamente nada.
Como contraponto ao livro objeto do artigo, recomendo a leitura dos livros de Humberto Fontova.
Por que o tratamento com a china não é o mesmo?Minha visão não é romantica não,andre,sou contra qualauer tipo de interferencia.Se o cubanos escolheram esse caminho e não querem mudar é problema deles,nos ou seja quem for não devemos se entrometer.
Lá as pessoas não merrem em porta de hospital,e crianças não ficam nas ruas em horario escolar,as taxas de mortalidade infantil e as menores do mundo,veja bem: num pais em crise.
Existe,sim criticas da população contra o governo,eles não aceitam intromissão de ninguem,pois entende que o povo cubano é resposanvel pela revolução.
o povo cubano,foi o verdadeiro héroi da revolução.
!!Viva CUBA!!