Crise capitalista e meio ambiente são temas centrais no FST

O Fórum Social Temático (FST) 2012 volta a levar ativistas e representantes governamentais de diversos países ao Rio Grande Sul. Diante da atual crise do capitalismo, debates sobre economia e meio ambiente ganham destaque. Além da capital Porto Alegre, as cidades gaúchas de São Leopoldo, Novo Hamburgo e Canoas recebem atividades entre os dias 24 e 29 de janeiro. Os assuntos centrais do evento se relacionam aos previstos na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e na Cúpula dos Povos, evento paralelo ao oficial.
Ganha destaque a “economia verde”. A ONU a define como “uma economia que resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social”. Seus defensores dizem que ela é “eficiente no uso de recursos naturais” e “socialmente inclusiva”. No entanto, diversos movimentos sociais e pesquisadores questionam o esvaziamento do conceito de “sustentabilidade”. Miguel Borba, que integra a Rede Jubileu Sul, critica a compra e a venda de emissões de carbono. Ele ressalta que proposta dá para grupos mais ricos o “direito de poluir” em regiões mais pobres do planeta.
São esperadas no FST 2012 cerca de 30 mil pessoas. Além de palestras e debates, o evento contará com mais de 600 atividades autogestionadas. Para mais informações acesse a cobertura especial das agências Pulsar Brasil e Púlsar.
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Boaventura critica Rio+20 por estar dominada pelo capitalismo verde

Para o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, o Fórum Social Temático (FST) 2012, no Rio Grande do Sul, acerta ao debater a crise capitalista e a destruição da natureza. Porém, garante que é preciso ir além do “capitalismo verde”.
O estudioso acredita que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que será realizada em junho, no Rio de Janeiro, estará “completamente dominada por idéias que não resolvem os problemas das justiças ambiental e social”.
Boaventura explica que o sistema capitalista hoje volta a uma fase extrativista dos recursos naturais, principalmentena América Latina e na África. Frente a isso, ressalta que o Fórum é um espaço para se mostrar soluções “não capitalistas” para a sociedade. Entre elas, a economia solidária e a agricultura familiar e agroecológica, que criticam os atuais níveis de consumo no mundo.
Neste contexto, o termo “desenvolvimento” deve ser questionado. Boaventura aponta que é preciso superar este conceito, mesmo quando somado a palavras como “humano” ou “sustentável”.  De acordo com o sociólogo, até hoje essas políticas apenas se traduziram em mais crescimento econômico e desrespeito aos direitos humanos.
Ele destaca que a atual fase do capitalismo tem origem no neoliberalismo, que em resumo defende a liberdade dos mercados e ganhou força a partir dos anos 90. Este modelo econômico, grifa o intelectual, não garantiu “formas de rentabilidade no capitalismo industrial”. Ele esclarece ainda que as commodities, ou seja, produtos de origem primária, como os alimentos, viram objetos de especulação em um capitalismo financeiro, hoje em crise.
Por isso, lutas históricas como a distribuição de terras e em defesa da água, apontadas por Boaventura como bens comuns da humanidade, permanecem centrais para os movimentos sociais. Ao lembrar dos ensinamentos do indiano Gandhi, Boaventura conclui que a natureza é suficiente para “todos os usos, mas não para todos os abusos dos seres humanos”.
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Comitês Populares lançam campanha contra Lei Geral da Copa
A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa e das Olimpíadas anunciou nessa terça-feira (24), durante uma coletiva de imprensa em Porto Alegre, que vai dar início a uma jornada de lutas para impedir a aprovação da Lei Geral da Copa.
Representantes dos Comitês de Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre apontaram que as denúncias de violações de direitos são praticamente as mesmas nas cidades que se preparam para receber os jogos.
Dentre as principais violações provocadas pela realização dos megaeventos esportivos estão as ameaças de remoção e a desapropriação de milhares de famílias, a criminalização da pobreza e de movimentos sociais, e a criação de leis de “exceção”.
A Lei Geral da Copa, cujas regras foram criadas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), foi criticada. Para Thiago Hoshino, do Comitê Popular de Curitiba, a Lei, que está tramitando na Câmara dos Deputados, “consolida uma dupla atuação do Estado”: cria uma frente de “militarização” e, ao mesmo tempo, se torna fiador de negócios privados ao atender interesses de grandes empresas. O termo “militarização se refere aos processos de repressão por parte das autoridades governamentais.
A Lei propõe, dentre outras coisas, a criação das chamadas “zonas limpas”. De acordo com Thiago, estas áreas, próximas aos estádios, são alvos de um processo de “higienização étnica e social” que significa a expulsão da população pobre.
A jornada de lutas da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa e das Olimpíadas vai se estender até as atividades realizadas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Dentre elas, está a Cúpula dos Povos, evento paralelo à oficial, que será lançada essa semana em Porto Alegre durante o Fórum Social Temático (FST).
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Marcha no FST exigiu justiça social e ambiental para o mundo


A marcha de abertura do Fórum Social Temático (FST) levou ativistas de várias partes do mundo às ruas do centro da capital gaúcha, Porto Alegre. Até domingo (29), o evento deve reunir pelo menos 30 mil pessoas.
Ambientalistas, vestidos de morte, estiveram à frente da caminhada levando caixões em protesto à destruição da natureza. Centrais sindicais animaram a caminhada, realizada neste terça-feira (24), com carros de som e bandeiras.
Militantes de organizações feministas, LGBT e do movimento negro também relacionaram suas lutas ao tema da edição do Fórum neste ano: “Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental”.
Uma grande faixa onde se lia “Agrotóxico é veneno!” foi levada por trabalhadores do campo. Movimentos sem teto e de catadores de material reciclável pediram por cidades justas. Estudantes, em grande número, animaram o ato público com batuques.
No meio do caminho da longa caminhada, uma curta e forte chuva refrescou o calor, mas não tirou ânimo dos participantes, que seguiram em marcha com palavras de ordem como: “os bens da Terra são de todos e de ninguém”. A mobilização durante o Fórum se mostrou diversa, inclusive sobre a opinião em relação aos governos estadual e federal; uns críticos e outros demonstrando apoio. Houve ainda um grupo de ativistas que não participou da marcha oficial por acreditar que o Fórum está institucionalizado, realizando uma intervenção paralela no Palácio da Justiça.
Como ponto comum a todos estes grupos, o rechaço ao sistema capitalista. A marcha, que saiu da Avenida Borges de Medeiros, chegou ao Anfiteatro Pôr do Sol, junto às margens do rio Guaíba. O FST integra o processo do Fórum Social Mundial, iniciado em 2001 em resposta ao Fórum Econômico Mundial, de Davos.
Neste ano, os debates giram em torno de temas presentes na Conferência de Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Río + 20, e no evento alternativo ao oficial, a Cúpula dos Povos. Ambos serão realizados no Rio de Janeiro, em junho.
(*) Reportagem publicada na página da Pulsar Brasil

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