Cresce uso de armas “não letais”

[Por Natana Magalhães e Marina Schneider]

“Nossas polícias estão usando este tipo de armas supostamente não-letais de maneira ostensiva”, já apontava Wilson Furtado, do Tortura Nunca Mais-SP, em matéria publicada em 05/06 pela Agência Pública. A notícia “Bomba brasileira na pele turca”, apontou que o gás lacrimogêneo fabricado pela empresa Condor SA, do Rio de Janeiro, é usado também na repressão de manifestações da Turquia. “O policial, em vez de deter a pessoa, atira e pronto, atingindo principalmente jovens que estão protestando”, criticou Furtado.

Foto: Arthur William

A Condor S.A. vende seus produtos para mais de quarenta países. De acordo com informações da Controladoria-Geral da União, o governo federal gastou R$ 49,5 milhões na compra de armas consideradas menos letais desde 2012. Esse tipo de arma também é utilizado pela Polícia Militar nas favelas com Unidades de Polícia Pacificadora e em programas do Governo Federal, como por exemplo, o “Crack, é possível Vencer”.

No Rio de Janeiro, a Polícia Militar comprou, depois da manifestação de 20 de junho, duas mil bombas de gás lacrimogênio com o dobro da potência permitida por lei no Brasil. Essas bombas seriam exportadas para Angola e foram compradas para uso interno, contrariando a especificação brasileira de que 10% da composição do artefato seja de lacrimogênio.  A PM calcula que no dia 20 de junho quatro mil bombas foram utilizadas no Centro do Rio.

Em Belém (PA), a gari Cleonice Vieira de Moraes, que inalou gás lacrimogênio enquanto trabalhava na limpeza do Centro da cidade durante um protesto acabou morrendo no dia 21 em decorrência da intoxicação. A página da empresa Condor SA na internet encontra-se em manutenção.

 

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