- Ladrão agora leva fotógrafo para registrar a sua ação criminosa;
- “Mobilização social” e “luta por direitos” recebe agora o novo nome de “formação de quadrilha” e pode, portanto, ser enquadrado na legislação penal;
- Manifestantes são inimigos em potencial que precisam ser interceptados e alvejados. Assim, difusamente;
- Isso inclui advogados tentando resguardar o direito à reunião e manifestação pacífica;
- Isso inclui pessoas dentro de suas casas, que deveriam deixar a polícia entrar sem mandado;
- É um padrão consolidado, visto que ocorreu em 90% das vezes em que as pessoas tentaram exigir nas ruas direitos;
- Esse conceito não pode ser observado na TV, apenas no YouTube;
- Algumas pessoas — como sempre ocorreu, historicamente, em qualquer ditadura militar, acham isso normal.
O relato de membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ: “A PM montou uma emboscada. Iniciou o conflito atirando bombas, e depois encurralou as pessoas em fuga. Mesmo sem oferecer resistência manifestantes receberam tiros e bombas. Nós também. (…) Não somos manifestantes ou partidários desta ou daquela opinião. Mas defendemos de forma intransigente o direito de liberdade de expressão. Quando defendemos a paz, não pedimos que abandonem a luta, muito pelo contrário, acreditamos que a resistência pacífica e a tolerância são as verdadeiras armas. E, é claro, estaremos lá para filmar tudo. Nenhuma voz será calada neste País. Nenhuma propaganda irá encobrir a verdade.”
Jornalista, 44, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis em https://amzn.to/3ce8Y6h). Saiba mais: https://gustavobarreto.me/
