Classe média: uma população informada não será manipulada

O fenômeno da nova classe média é o grande destaque na consolidada economia brasileira.  Esse novo segmento social movimenta bilhões por ano, o fato é uma realidade em todo o país. O governo e os empresários agradecem a contribuição da chamada nova classe média.
Os programas de distribuição de renda nos últimos dez anos foram o ponto de partida para esse surgimento. Uma classe nova, como qualquer outro consumidor, quer do bom e do melhor existente no mercado. Quer comprar carro, fazer viagens, TVs de última geração. Nada de errado. Estamos passando a ocupar os mesmos espaços onde até então era impossível imaginar que um dia pudéssemos frequentar. A professora da USP, Marilena Chauí, foi bem enfática ao destacar que esses programas balançaram com a cabeça da classe média burguesa e dominante. Como sempre, ela resmungou querendo uma fatia maior do bolo da igualdade para encher mais as suas vaidades.
A questão é: a classe média nova servirá somente para consumir? Chegaremos em pé de igualdade com as classes médias tradicionais, porém com um detalhe a menos: O discurso ideológico e os formadores de opiniões. De nada servirá na falta desses dois detalhes muito importantes. Sim, de nada serve estar dentro de um conjunto social econômico e ao mesmo tempo sermos escravos de suas mentes. Corremos o risco de ser uma classe tão conservadora, reacionária e excludente quanto a atual. Como dizia Joaquim Nabuco: “Temos de destruir a obra”.
Em plena era da informação, os emergentes precisam ser mais informados. Sair daqueles velhos hábitos, ficarem mais atentos aos acontecimentos do Estado, município, Brasil e do mundo. Por que esse detalhe? Simples: Uma população informada não será manipulada. É pela informação que as classes burguesas conquistam tudo e chegam sempre na frente.
Vale apena destacar a vinda dos novos universitários, beneficiados com as políticas de ações afirmativas ou cotas. Sim, serão o peso da balança. Os pré-vestibulares comunitários (PVC) têm grande oportunidade de avanço nessa área, têm feito um ótimo papel na formação desses alunos. Além de suprir as aulas não dadas pelo poder público, os alunos dos pré–vestibulares comunitários trabalham como o objetivo de se tornarem agentes transformadores dentro das universidades e sua localidade. Será uma nova geração de intelectuais vinda das bases populares. Traz em si experiência passada na pele por séculos de exclusão, não somente terá o discurso acadêmico mas também sua própria história de vida. Começaríamos a criar uma geração que irá contrapor o velho, batido e perigoso discurso da classe média burguesa.
Não vale de nada ser uma classe emergente sem pensar e ter opinião própria. Seremos marionetes nas mãos dos mesmos que há anos decidem por nós, pensam por nós e sempre estão nos ignorando. Não queremos um país divido, mas sim as mesmas condições de igualdade. Conforme dito anteriormente, não basta consumir, queremos opinar. Só falta a chance de falar qual o país que queremos e qual o melhor caminho para todos.
(*) Fábio Nogueira é militante da Educafro e estudante de história da Universidade Castelo Branco: fabionogueira95@yahoo.com.br. Colaborou: Berg Sano, estudante da Faetec.

Um comentário sobre “Classe média: uma população informada não será manipulada”

  1. Não há isso de “uma gigantesca nova classe média emergindo”. Há sim a saída de muitos da linha da pobreza e a alteração dos critérios para integrar a classe média. Não me importa o que o IBGE diga, mas quem ganha a partir R$ 300,00 por mês não é da classe média – por esse critério, os beneficiados do bolsa família teriam emergido à classe média (o que, inclusive, pode no futuro ser utilizado como campanha eleitoral).
    E também não há essa “ideologia” da antiga classe média, formada por “burgueses” egoístas e culpados pela desigualdade social. Temos que entender que economia não é um jogo de resta um, onde para João ficar rico é preciso que José se empobreça. Isso é uma mentalidade inconscientemente implantada em nossas cabeças pelo viés socialista de nosso país (que acredite, é imenso, não creia que o Brasil é um país neoliberal). O capitalismo é a solução, não o problema.

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